29 de julho de 2026

Hassis, cem anos de humanidade

Por José Carlos Sá

Um gato vadio na noite – Sem título, 1965 – Hassis -Óleo sobre tela (Foto JCarlos)

Estamos em plena celebração dos cem anos de nascimento do artista plástico Hassis, nascido Hiedy de Assis Corrêa. Veio ao mundo em Curitiba, mas foi trazido para Florianópolis aos três anos de idade, cidade onde viveu intensamente e deixou sua marca em telas e murais. Hassis participou dos movimentos de renovação artística em Santa Catarina e foi um dos fundadores do Grupo de Artistas Plásticos de Florianópolis, hoje ACAP.

Meu interesse pelo artista nasceu em dezembro de 2022, numa visita à “igrejinha da UFSC” para assistir a um concerto do violonista, professor, regente e compositor Kleber Alexandre. Fiquei tão maravilhado com o mural pintado por Hassis, no espaço onde antes ficava o altar, que precisei me esforçar para me concentrar na música. No fim, as duas artes se fundiram: a música, a pintura e o lugar histórico — construído a partir de 1848 e concluído apenas nove anos depois, servindo como paróquia da Trindade até 1977 — transbordavam sobre mim.

Voltei à Igrejinha outras vezes para explorar o mural e fotografá-lo em diversos ângulos. A primeira impressão foi de uma releitura de “Guernica”, de Pablo Picasso. O mural, chamado Humanidade, traz os Cavaleiros do Apocalipse anunciados no Evangelho de João, além de figuras simbólicas que remetem a várias passagens bíblicas. No centro, o Santo Graal, que a lenda diz ter aparado o sangue de Cristo na crucificação.

Ontem tive outro encontro com a obra de Hassis, agora na abertura da exposição Hassis – Diários Afetivos, no Instituto Collaço Paulo, em Coqueiros, a convite da amiga Néri Pedroso e em companhia da também amiga Rosana Ritta. 

São 44 obras que retratam cenas urbanas de Florianópolis: festas populares como o boi e o carnaval, religiosidade, o circo, o porto e o mar, além de personagens que marcaram o olhar do artista.

Passei pela galeria apreciando cada quadro antes de ouvir a curadora, Alice Viana Bononi, explicar que a seleção surgiu de conversas com os responsáveis pelo Instituto Collaço Paulo — familiares de Hassis e detentores do acervo. Ela teve acesso também aos registros do próprio artista, que contextualizava cada pintura.

É uma exposição rica em conteúdo e afetividade, como já antecipa o nome da mostra. Fica aberta até 31 de outubro de 2026. Paralelamente, outras duas exposições integram a programação Hassis 100 anos: Hassis Brincante, até 31 de janeiro de 2027, na Fundação Hassis; e Entre o Instante e a Eternidade, com obras ainda não expostas ao público, até 28 de março de 2027, no Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa.

SERVIÇO

  • O quê: exposição Hassis – Diários Afetivos, curadoria de Alice Viana Bononi
  • Quando: 29.7.2026 a 31.10.2026, seg. a sáb., 13h às 18h30
  • Onde: Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação, rua Des. Pedro Silva, 2.568, bairro Coqueiros, Florianópolis
  • Quanto: gratuito

[Crônica XCI/2026]

A seguir, algumas das obras em exposição

Bananeira IX, 1970 – Hassis – Acrílica sobre duratex (Foto JCarlos)

Sem título, 1971 – Hassis – Técnica mista (Foto JCarlos)

Autorretrato – Hassis III, 1967 – Hassis – Óleo sobre tela (Foto JCarlos)

O circo chegou! Sem título, 1959 – Hassis – Óleo sobre tela (Foto JCarlos)

Sem título, 1959 – Hassis – Giz de cera sobre papel (Foto JCarlos)

Gostei desta obra – Porto, 1965 – Hassis – Óleo sobre madeira compensado (Foto JCarlos)

Sem título, 1986 – I, II e III – Hassis – Acrílica sobre duratex (Fotos JCarlos)

Sem título, 1995 – Hassis – Acrílica sobre tela (Foto JCarlos)

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Artes Plásticas Florianópolis Hassis Igrejinha da UFSC Instituto Collaço Paulo Néri Pedroso Rosana Ritta 

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