06 de agosto de 2021

Resgatando histórias

Por José Carlos Sá

Boulevard da avenida Hercílio Luz a que querem dar o nome de alguém (Foto Movimento Floripa Sustentável)

Talvez por falta de ideias para propor projetos que melhorem a vida daqueles que os elegeram, os vereadores de Florianópolis estão discutindo dar nome a um trecho da avenida Hercílio Luz, no Centro da capital, de aproximadamente quatro quarteirões, que chamam de “boulevard”.

Desde o ano passado a vereadora Carla Ayres (PT) apresentou projeto de lei dando o nome de Marielle Franco ao referido trecho. Marielle era vereadora do PSol carioca e foi assassinada em 2018 no Rio de Janeiro. Na ocasião em que o projeto de lei foi apresentado no final de novembro de 2020, várias entidades se manifestaram contrárias à iniciativa e ofereceram uma lista com 15 nomes de personagens da história florianopolitana que poderiam ser homenageadas.

Agora um documento assinado por 47 entidades, lideradas pelo Movimento Floripa Sustentável e com o apoio do vereador Dalmo Menezes (DEM), propõe que o mesmo trecho da avenida Hercílio Luz receba o nome da professora Olga Brasil da Luz (* Florianópolis 14/02/1924 + 06/02/2007). Aluna da professora Antonieta de Barros, Olga foi professora, exerceu o cargo de diretora em várias escolas públicas e fundou uma escola particular.

Marcador de página usado como propaganda política em 1958 (Foto JCarlos)

Aí é que entra o resgate histórico do título. Ao comprar alguns livros em um sebo no centro histórico de Florianópolis, eu ganhei um marcador de páginas com uma propaganda para as eleições municipais de 1958. Mentalmente eu me propus a pesquisar se o candidato a vereador foi eleito naquele longínquo pleito.  Mostrando o marcador para a Marcela ela lembrou que a candidata era a personagem cujo nome estava em discussão para nomear um trecho da avenida Hercílio Luz.

Olga Brasil da Luz, professora e política (Foto Câmara de Florianópolis)

Olga Brasil da Luz teve uma carreira brilhante como educadora e se candidatou a vereadora em 1958, pelo PSD (Partido Social Democrata), obtendo 538 votos, ficando na quarta suplência, mas assumiu a cadeira em 14 de novembro de 1960, se tornando a primeira mulher e negra a exercer o cargo de vereadora em Florianópolis. Até hoje, quase 300 anos depois de criada a Câmara de Florianópolis, apenas treze mulheres assumiram como vereadoras, sendo sete eleitas e seis suplentes.

Na minha opinião – que ninguém pediu – a homenagem à professor Olga Brasil é mais que justa.