17 de julho de 2021

Maria da Ilha – Uma voz contra o racismo e a injustiça

Por José Carlos Sá

Quem lê o título acima pode pensar que vou escrever sobre um super herói da Marvel ou da DC Comics. Não. A heroína era de carne e osso. Nasceu há 120 anos em uma sociedade machista e racista do início do século XX. Filha de uma escrava liberta e de um pai cujo nome não consta da certidão de batismo, Antonieta de Barros (Florianópolis 17/07/1901 – 28/03/1952), que foi alfabetizada tardiamente, mas aos 17 anos já era professora formada. O analfabetismo em Santa Catarina, em 1922, atingia 65% da população.

Antonieta de Barros, à frente de seu tempo (Foto IHGSC)

Desde cedo tinha um olhar atencioso aos desfavorecidos e fundou a escola particular “Antonieta de Barros”, para atender e alfabetizar a população carente. A sua qualidade profissional fez com que fosse convidada a lecionar em escolas como o Colégio Coração de Jesus, Dias Velho e Catarinense (onde foi diretora), frequentado pelos filhos daqueles que compunham a elite social da capital de Santa Catarina.

Antonieta de Barros tinha  na Educação sua preocupação principal e escreveu centenas de artigos para os jornais – sob o pseudônimo de “Maria da Ilha” – para defender suas ideias e rebater as afrontas que recebia por causa da cor de sua pele e da condição social.

Antonieta de Barros na posse dos deputados estaduais de Santa Catarina, em 1935. Ela é a terceira da esq. para a dir., sentada (Foto reprodução)

Foi a primeira mulher a se eleger deputada estadual em Santa Catarina,  primeira negra eleita para o parlamento no Brasil, a terceira mulher a ser eleita no Brasil pelo voto direto e a única mulher negra, até os dias de hoje, a ocupar  uma cadeira da Assembleia Legislativa catarinense.

Como deputada, em 1948, foi autora do projeto de lei que criou o Dia do Professor, dia 15 de outubro, que só foi tornado um evento nacional em 1963 pelo então presidente João Goulart. A data é uma celebração da Lei Educacional, assinada por D. Pedro I, em 15 de outubro de 1827, que instituiu o Ensino Elementar no Brasil.

Professora, escritora, jornalista – além de escrever artigos, fundou o jornal “A Semana”, que circulou entre os anos 1922 e 1927 -, Antonieta morreu frustrada por não conseguir cursar direito, pois o acesso à faculdade era privativa aos homens.

Mural em homenagem à Antonieta de Barros (Foto CSC Energia/Divulgação)

Hoje ela é homenageada dando o nome a uma medalha concedida pela Assembleia catarinense a mulheres que se destacam em atividades sociais. Também é dedicado a ela um mural de 32 metros de altura e nove de largura pintado em um prédio no centro de Florianópolis. Empresta o nome a ruas em Joinville, Blumenau, Ibiporã e Florianópolis (onde também há um túnel entre o centro e o sul da Ilha com seu nome).

Antonieta de Barros é um exemplo para todos nós no combate ao racismo e às desigualdades sociais.

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ALESC Antonieta de Barros Florianópolis Santa Catarina 

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