Esta estória ouvi quando criança, em Teófilo Otoni, e é responsável pelo medo que tenho de gatos até hoje. Não sei se é fato real ou lenda, o importante é que o episódio é recontado no sertão mineiro, com poucas variáveis. O escritor Rubem Fonseca citou a mesma história no livro “Do Universo à Jabuticaba“.
O padre de uma cidade do interior de Minas Gerais comprava linguiça no mercado e colocava para defumar sobre o fogão a lenha. Um gato aparecia por lá e antes que a linguiça estivasse no “ponto”, o bichano a roubava e ia comer no telhado da casa paroquial.
Cansado daquilo, o padre armou uma armadilha para o gato e o atraiu para um quarto que já estava com a janela fechada. Depois que o gato entrou o padre o acompanhou levando um porrete, o cercando em um canto.
Se vendo acuado, o gato, para se defender, saltou cravando as unhas na carótida do padre. Ao ouvir o grito, a empregada da casa paroquial abriu a porta e nem viu o que passou por ela. Encontrou o padre ensanguentado, de tal gravidade que morreria poucos minutos depois.
Esta é a lenda do gato que matou o padre.

