Num domingo de páscoa, quando éramos crianças pequenas em Teófilo Otoni, acordamos cedo para encontrarmos os ninhos com ovos de páscoa, antes de ir à missa.
Paíto, Cida e eu procurávamos atrás dos móveis, nas gavetas, enquanto pai e mãe diziam “está ficando quente”, quando aproximávamos do alvo ou “está ficando frio”, quando afastávamos.
Depois de encontrados os ovos, fomos tomar café e descascar e comer os ovos, que eram ovos de galinha cozidos e coloridos com tinta de caneta ou com papel crepom. Foi aí que notei que mãe e pai estavam com os dedos sujos de tinta.
Desconfiado, perguntei a origem daquela tinta. Pai foi rápido na resposta:
– O coelho não queria botar os ovos para vocês e nós tivemos que espremê-lo.

