Na Igreja Católica vivemos o período litúrgico que antecede a primeira vinda de Cristo. É nessa época que muitas famílias mantêm uma tradição iniciada por São Francisco de Assis há mais de 800 anos: montar a cena que representa o nascimento de Jesus — os presépios — conforme narrado no Evangelho de Lucas.
Sou apaixonado por presépios desde a infância, quando minha mãe nos levava para visitar diferentes montagens em Teófilo Otoni. Mas o que realmente me encantava era o cenário criado por minha avó Georgina, que misturava objetos contemporâneos aos elementos tradicionais.
Assim, Mãedindinha (como a chamávamos) colocava carrinhos ao lado dos bois e cavalos na estrebaria onde nasceu o Menino Jesus, cercados por conchinhas do mar. Também havia um pequeno lago feito com espelho, onde “nadavam” patinhos. Coisas que me pareciam “estranhas” na época e que só fui perceber como singulares ao visitar outros presépios mais tarde.
Ainda hoje gosto de visitar e fotografar presépios, embora não tenha herdado o hábito de montá-los. Minha mãe manteve essa tradição enquanto teve saúde, mas eu não a levei adiante.
Em tamanho real
Ontem, dia 17, Marcela e eu participamos da inauguração do presépio na residência da família Villalva, em Florianópolis.
O casal de amigos Osmarina e Paulo — junto aos filhos Paulo Andrés e Gabriel — mantém, desde 2007, o costume de abrir sua casa para visitação do presépio, interrompido apenas durante a pandemia. A cena é composta por figuras moldadas em argila em tamanho natural, todas confeccionadas por eles.
Estão lá a Sagrada Família — Maria, José e o Menino Jesus —, os reis vindos do Oriente, os animais da estrebaria, além de figuras de crianças e até uma rendeira açoriana. As imagens, os vestuários e os acessórios foram todos criados pelo casal, que há mais de 25 anos se dedica à arte do barro.

A cantoria ficou por conta do casal Daureci e Góes e a percussão pelo Paulo Andrés (Fotos Paulo Villalva e JCarlos)
Enquanto os convidados visitavam e fotografavam o presépio, o casal Daureci e Góes nos presenteava com cânticos natalinos, acompanhados na percussão por Paulo Andrés. Entre as músicas, cantei junto “A nós descei divina luz…” e “Ó Deus salve o oratório…”. A primeira me remete às procissões e novenas de Minas Gerais; a segunda conheci nas cantorias de Reis e, mais tarde, na gravação de Milton Nascimento.
A reunião na casa dos Villalva reuniu amigos, artistas, artesãos e pessoas ligadas à cultura. Entre cânticos e conversas, todos saborearam um café colonial e ajudaram a preservar uma tradição ancestral.
[Crônica CCLXXXI/2025]





