
Reverenciando a memória de Cruz e Sousa e lembrando do racismo ainda existente no Brasil (Montagem com imagem de escultura de Cruz e Sousa confeccionada por Osmarina e Paulo Villava sobre foto JCarlos)
Foi um banner instalado na fachada do Museu Histórico de Santa Catarina — Palácio Cruz e Sousa — que me fez lembrar a data de nascimento do poeta simbolista João da Cruz e Sousa: 24 de novembro, há 164 anos, na cidade de Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis.
Filho de pais alforriados, Cruz e Sousa viveu em um ambiente extremamente opressor contra os africanos trazidos de sua terra natal e escravizados — uma situação de humilhações que nem a Lei Áurea, de 13 de maio de 1888, conseguiu extinguir. O preconceito racial continua firme aí, só para não me chamarem de mentiroso.
Cruz e Sousa, por meio de textos abolicionistas e antissegregacionistas, lutou contra o sistema escravocrata e racista. Morreu aos 36 anos, e a causa pela qual batalhou segue viva — infelizmente, ainda sem vitória.
Recentemente, torcedores do Avaí, de Florianópolis, agrediram com palavras xenófobas e racistas a torcida do Clube do Remo, de Belém do Pará, durante uma partida de futebol na capital catarinense.
Esse episódio no estádio da Ressacada foi apenas mais um entre tantos ataques que pessoas — não importa cor, origem ou condição social — continuam a sofrer, aqui e em toda parte. Uma atitude, para mim, incompreensível, já que somos feitos da mesma matéria e teremos todos o mesmo destino: a morte.
Minha forma de comemorar o aniversário de nascimento do poeta simbolista é com esta reflexão — e a triste conclusão de que a batalha de Cruz e Sousa faz parte de uma guerra que ainda vai longe…
[Crônica CCLVII/2025]
