Por alguma razão misteriosa, hoje me peguei pensando numa dúvida que carrego desde criança: qual o verdadeiro significado da frase “Quem fala muito dá bom dia a cavalo”?
Sempre que escutava essa expressão, ficava tentando entender o que ela queria dizer — além do óbvio. Mas nunca cheguei a uma conclusão satisfatória. Onde está a lógica do conselho-advertência de que devemos falar menos, medir e pesar as palavras, usando como referência o cumprimento a um equino?
Uma das explicações que encontrei dizia que quem fala demais desperdiça palavras com um cavalo, “que não responde nem interage como um ser humano”.
Mas acontece que conheço muita gente que conversa com plantas — o mestre Cartola, por exemplo, se queixava às rosas. Há quem fale com animais, aves, objetos, e também quem converse sozinho. Sei de vários. Eu incluído.
Por isso, repito: nunca entendi essa expressão. E sigo sem entender o sentido que lhe atribuem.
Foi a Mariana que inspirou o dito
Entre as muitas explicações para o tal “dar bom dia a cavalo”, encontrei uma bem marota no portal Imulher.
Dizem que dois irmãos, lá do interior de Minas (claro que tinha que ser Minas), cobiçavam uma moça chamada Mariana, que morava numa fazenda vizinha e cujo pai era muito bravo. Um dia, armados de coragem e usando qualquer desculpa, foram até lá falar com ele — ou melhor, com ela.
Tomaram banho de perfume, vestiram suas melhores roupas e colocaram as selas mais bonitas nos cavalos mais vistosos que tinham na propriedade.
Ao chegarem à fazenda, bateram palmas e quem apareceu para atendê-los foi a própria Mariana. A surpresa de vê-la ali, em carne e osso, os deixou sem voz.
Conseguiram pedir água para beber. Ela trouxe os copos numa bandeja e os irmãos começaram a fingir bons modos, “cada um pedindo que ela servisse o outro primeiro”. Mariana, cansada da palhaçada, jogou a água fora e entrou de volta na casa, batendo a porta na cara deles.
Desapontados, voltaram para casa e foram reclamar com a mãe. Depois de ouvir as lamúrias, a mulher lhes deu uma bronca daquelas:
— Onde já se viu chegar na casa dos outros, que ainda nem conhecem, sem descer da montaria e dar bom dia a cavalo?! Que vergonha! Bem feito!
Continuei com a mesma dúvida. Dou ou não dou bom dia a cavalo?
[Crônica CLXVIII/2025]

