09 de fevereiro de 2024

O nome

Por José Carlos Sá

A escolha do nome do filho vai influenciar toda a vida dele (Imagem gerada por I. A. – Bing.Com)

Que nome daremos ao nosso primeiro filho? Esta é uma questão fundamental, afinal a escolha vai influenciar por toda sua vida. 

Se fizermos uma junção dos nossos nomes pode sair um palavrão ou um cacófato, ou, pior, uma demonstração da nossa auto-homenagem, fazendo com que o nosso rebento carregue nas costas esta falta de modéstia injustificada.

Mas temos outras alternativas.

A numerologia, os dicionários, nomes de heróis que viveram de verdade ou na ficção da literatura ou do cinema. Temos também à nossa disposição os nomes dos nossos antepassados, de pais para trás ou, na pior das hipóteses, nomes de jogadores de futebol ou de políticos de destaque (aí fica sob sua responsabilidade).

Existem também revistas e livretos vendidos em bancas, com as sugestões de nomes e seus significados. Andei comprando uns e comparando: os significados dos nomes variam de publicação para publicação, não dando segurança para o consulente. Já pensou dar ao menino um nome pensando querer dizer “herói”, “bravo”, “destemido”, “ousado” e o nome significar “covarde”, “pateta” ou coisa pior? 

Em um almanaque antigo achei algumas sugestões de santos dos dias de julho (não era essa a previsão do nascimento?) e as alternativas podem ser: Teobaldo (já tem alguns conhecidos com esse nome),Martiniano (está fora de moda), Leão (o ex-goleiro já basta), Ulrico (epa!), Antônio Zacarias (já tem muitos dos dois nomes), Isaías (idem) , Vilibaldo (só conheço um), Verônica (sempre tão triste), Analberga (a menina nos mataria quando tivesse consciência do nome que demos a ela), Pio (só para o papa), João Gualberto (tem vocação para professor, ah coitado), Boaventura (o nome promete…).

Temos também Henrique (tá um tanto assim gasto pelo uso), Carmo (tem “assim”), Camilo Lélis (o nome está meio ultrapassado), Vicente de Paula (idem), Jerônimo (ibidem), Praxedes (sem comentários), Maria Madalena (gosto do nome, mas você não gosta), Apolinário (já deu o que tinha que dar), Cristina (comum, mas simpático), Ana (a mesma coisa do anterior), Pantaleão (basta a personagem do Chico Anísio), Nazário (não!), Abdon (estranho) e, finalmente, Inácio de Loiola (o dono desse nome no passado foi “gente que fez”, mas não sei, não sei…).

Não chegamos a nenhuma conclusão, mas a propósito: por que estamos falando sobre isso se você não está grávida e nem quer ficar?

 

[Crônica VII/2004 – Texto publicado no caderno Lítero-Cultural do jornal Alto Madeira – Porto Velho (RO), 20/06/1999]

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Crônica Jornal Alto Madeira Porto Velho 

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