Nas curtas viagens entre o térreo e o quarto andar no elevador do hotel, subimos e descemos ouvindo trechos de músicas interpretadas pelo saxofonista Kenny G, daquelas próprias para acalmar pacientes de dentistas, pois soam mais suaves que o barulhinho do motor da broca.
Lembrei de uma história que meu pai contava. Quando a Ferrovia Bahia a Minas foi extinta, os empregados puderam escolher em ser transferidos de Teófilo Otoni para Goiânia ou Belo Horizonte. A maioria optou pela capital mineira.
Ao se apresentarem na RMV (Rede Mineira de Viação), depois incorporada pela Rede Ferroviária Federal, os funcionários tiveram que se submeter a exames médicos. No grupo em que meu pai fazia parte havia um colega que ia pela primeira vez em uma cidade grande e estava maravilhado com os prédios, carros e tudo mais.
Ao embarcarem no elevador do edifício em que se localizavam o consultório, o colega ouviu a música ambiente e começou a procurar a origem. Não se contentando, perguntou ao ascensorista:
– Moço, essa música é rádio?
– É, sim senhor.
Uma pausa para pensamento e conclusão do colega do meu pai:
– Então o fio deve ser grande para não quebrar…
Se alguém riu, foi por dentro.

