
Em cima: Fogo na estátua de Borba Gato (Reprodução TV Globo 24072021); fogo na estátua de Cabral (G1 25082021); Em baixo: Charge Benett (Folha 240820210)
Depois que tacaram fogo nas estátuas de Borba Gato e Pedro Álvares Cabral, em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente, esse tipo de protesto sumiu dos noticiários, mas o assunto continua quente sob as cinzas.
Há algumas semanas li em um jornal de Manaus que havia um movimento para a retirada da estátua de João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, primeiro presidente da Província do Amazonas, em 1852. O motivo da remoção da escultura inaugurada em 1907, seria por que a família do Tenreiro Aranha tinha mão–de-obra escrava. Também há a defesa da troca de nomes de ruas, que tem denominações citando personagens históricas. Uns são ligados ao golpe militar de 1964, como ruas Castelo Branco, Emílio Garrastazu Médici e João Baptista de Figueiredo, aliás esse general também empresta o nome a um município amazonense.
Outro grupo de homenageados é ligado a outros episódios da história brasileira, como o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, que nomeia uma avenida no bairro D. Pedro II. Os manifestantes defendem a mudança do nome do logradouro, já que Jorge Velho é apontado como o comandante das tropas que destruíram o Quilombo dos Palmares, o que levou a morte de Zumbi, o líder daquele refúgio.
No dia 21 de agosto, a Folha publicou matéria dando conta que a Prefeitura paulistana listou quarenta monumentos existentes em São Paulo que são considerados “controversos por homenagearem pessoas ligadas a momentos sensíveis do passado brasileiro —como a escravidão, o massacre indígena, o período colonial e a ditadura militar.” Entre eles estão estátuas de Alexandre de Gusmão, Marquês de Tamandaré, Anhangüera, Camões, padre José de Anchieta, Infante Dom Henrique, José Bonifácio – O Patriarca da Independência e Tiradentes. Alguns dos listados eu compreendo, mas Camões? O escritor não se enquadra – a meu ver – o em nenhum dos critérios enumerados pelos revisionistas.

Anita Garibaldi, obra do italiano João Bassi, entronizada no Parque Municipal de Belo Horizonte (Foto Iepha-MG)
Em Minas Gerais, esse movimento revisionista começou há muito o tempo, no início do Século Vinte. Conta o site “Belo Horizonte Surpreende”, mantido pela Belotur (Empresa Municipal de Turismo): “O busto, em bronze, de autoria do italiano João Bassi, homenageando Anita Garibaldi, foi idealizado pelo Deputado Fausto Ferraz. Na base do pedestal, feito em mármore está fixada uma alegoria em baixo relevo que retrata uma cena, onde Anita fugindo das tropas imperiais, atravessa a nado o Rio Canoas. A solenidade de inauguração ocorreu a 21 de setembro de 1913, na Praça da Estação. Posteriormente, como o comportamento da homenageada não condizia com a moral da época, o busto foi removido para o Parque Municipal”.
A escultura de Anita Garibaldi ficou em uma das entradas do Parque até 1929, quando precisou ser transferida devido a obras viárias na capital mineira. Hoje a estátua fica no centro do Parque Municipal, na Ilha dos Amores, que foi construída especialmente para receber a homenagem à catarinense.

