27 de agosto de 2021

Devoção em argila

Por José Carlos Sá

Há poucos dias comentei sobre a devoção e a habilidade de trabalhar a argila deixadas pelos açorianos que atravessaram o Oceano Atlântico e vieram se estabelecer no sul do Brasil, especialmente no litoral de Santa Catarina, desde 1748. Hoje (27/08) fomos à exposição “Folclore, lendas, devoção e fazeres de uma herança açoriana”.

Os autores das obras são o casal Paulo e Osmarina Villalva, que fizeram pesquisas e moldaram os tipos e as festas religiosas e profanas mantidas na memória dos “Manézinhos” da Ilha de Santa Catarina e de outros lugares igualmente colonizados pelos portugueses vindos, sobretudo, das ilhas de Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial, localizadas a mais ou menos oito mil quilômetros de distância.
As obras de Osmarina e Paulo, moldadas em “barro, fogo, água, cores e talento” mostram o tipo popular do “pombeiro*”, o pescador, as festas, como a dança do pau de fita, o Boi-de-Mamão, a Festa do Divino e o folclore místico, representado por Franklin Cascaes, pesquisador das crendices populares trazidas d’além mar.
Os artistas vão oferecer ainda oficinas aos interessados sobre as técnicas de escultura em barro. A exposição está na sala José Cipiano da Silva Galeria do Mercado Municipal de Florianópolis até o dia 19 de setembro, de segunda a sexta-feira, de meio dia às 18 horas.
É assim que a tradição não morre.

Aspecto geral da exposição de Paulo e Osmarina (Foto JCarlos)

Pombeiros. Em sentido horári: Vendedor de cebola; vendedor de galinhas, Manézinho com gaiola e passarinho; e vendedor de rosca (Fotos 1, 2 e 4 – Divulgação; 3 – JCarlos)

Cortejo na Festa do Divino (Fotos JCarlos)

Todos os componentes do Boi-de-Mamão (Foto JCarlos)

Detalhe da boca da Bernunça (Foto JCarlos)

Dança do Pau-de-fita (Foto JCarlos)

Placa em cerâmica representando o “Pão com Deus”, uma espécie de correio elegante dos açorianos (Foto JCarlos)

Pescadores de tainhas (Foto JCarlos)

Outra figura marcante da cultura açoriana: a benzedeira (Foto JCarlos)

Lenda ‘A travessia de Nossa Senhora’ (Foto JCarlos)

Homenagem de Paulo Villalva a Franklin Cascaes (Foto JCarlos)

Com os artistas Paulo e Oscarina Villalva (Foto Marcela Ximenes)

* Pombeiros – Vendedor ambulante que negociava pombas (tinha quem comia) na antiga Vila do Desterro. Por extensão passou a nomear ambulantes em geral, que caminhavam pelas ruas a pé, a cavalo ou em carroças vendendo coisas. (Fonte Dicionário da Ilha – Fernando Alexandre – Cora Coralina Edições, Florianópolis, 1994)

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Arquipélago dos Açores Franklin Cascaes Osmarina Villalva Paulo Villalva Santa Catarina 

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