24 de agosto de 2021

O melhor de Stanislaw Ponte Preta – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

Antes de falar sobre o livro, li o Sérgio Porto que usava o codinome Stanislaw Ponte Preta para assinar suas crônicas, desde criança. Na casa das minhas avós havia exemplares antigos do jornal Última Hora, em que eu lia as colunas, nem sempre entendendo as referências. Com o tempo, já leitor do Pasquim – que tinha Sérgio Porto como referência -, passei a entender a cidade (Rio de Janeiro) e o país (Brasil) naqueles anos da década de 1960, que não foram fáceis.

Capa da 7ª edição lançada pela José Olympio Editora (Divulgação)

“O melhor de Stanislaw Ponte Preta” é uma seleção organizada por Valdemar Cavalcante, que garimpou nos sete volumes lançados por Sérgio Porto ainda em vida. Imitando os estilos dos colunistas mais famosos da época – Ibrahim Sued e Jacinto de Thormes, Stanislaw também escrevia sobre sociedade, mas ao contrário dos seus inspiradores, as personagens da ‘coluna social’ de Ponte Preta eram suburbanos, andavam de ônibus e frequentavam as delegacias como conduzidos ou pedindo ajuda policial.

O jornalista Sérgio Porto em foto do arquivo pessoal

Algumas personagens apareciam com frequência, pois faziam o contraponto aos fatos narrados: a Tia Zulmira, o primo Altamirando e o Rosamundo, cada um com suas idiossincrasias. Outras crônicas são inspiradas em  conversas ouvidas nos ônibus, anúncios classificados e em notícias publicadas nos jornais, que Sérgio descrevia como “impressos com plasma sanguíneo” e que ao espreme-los, haveria uma “hemorragia”. Neste livro não há textos sobre políticos, pessoas que Ponte Preta gostava de ridicularizar.

Comentei com a Marcela, que eu não sabia se o Sérgio Porto conheceu o Rolando Boldrin ou foi o Boldrin que leu as crônicas assinadas como Stanislaw. É que vários causos contados no programa Sr. Brasil estão no livro, mudando os nomes das personagens e, ao invés de São Joaquim da Barra (terra do Boldrin), os fatos são ambientados nos subúrbios do Rio de Janeiro.

Ah! As ilustrações são do Jaguar, um dos fundadores do Pasquim (Reprodução)

Foi uma boa e divertida leitura. Até anotei algumas comparações feitas pelo cronista para posterior uso: “Era um desses homens que não resistem à pergunta: ‘Você é um homem ou um rato?'”; “Passarinho que come pedra, sabe o que advém”; “Era de cruzar periscópio com cabra para ver se nasce um bode expiatório”; “o panorama era mais monótono que itinerário de elevador” e por aí vai.

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Jaguar Rio de Janeiro Rolando Boldrin São Joaquim da Barra Sérgio Porto Stanislaw Ponte Preta 

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