11 de julho de 2021

“Guerra bacteriológica”

Por José Carlos Sá

Quando eu pesquisava para escrever o post “Incentivo à vacinação de negacionistas” encontrei uma fala do presidente Jair Bolsonaro, em 05 de maio de 2021 – da qual eu já tinha me esquecido -, em que ele faz uma insinuação sobre  a origem do Coronavírus: “É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano [que] ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês.”

Tentei ilustrar assim a guerra bacteriológica de que meu colega foi vítima (Ilustra edição JCarlos)

Me lembrei de um colega de quartel. O Domingos, que era cabo enfermeiro. Ele falava pouco, meio retraído, e todos nós gostávamos dele. Nas horas de folga praticava lutas marciais e halterofilismo. Era baixo e parrudinho. Domingos, nasceu no interior de Minas e morava sozinho em uma quitinete perto do quartel.

Uma noite, soubemos depois, uma patrulha da PA (Polícia da Aeronáutica) foi chamada porque ele estava alterado. Quebrou todos os móveis de casa e os vizinhos, que já o conheciam como uma pessoa pacata, evitaram chamar a Polícia Militar e telefonaram para a Base Aérea de Belo Horizonte.

Fomos visitar, Ricardo e eu, o nosso amigo na enfermaria. Ele estava com as mãos enfaixadas e ainda sob o efeito de um tranquilizante. Não soube nos dizer o que acontecera.  Na saída, o outro cabo nos disse que segundo os vizinhos do Domingos, ele que tomava remédio tarja preta, bebeu algumas cervejas e a mistura fez mal. A confusão começou quando o cabo olhou para o espelho do guarda-roupas e viu outro homem encarando ele. Foi tomar satisfação e deu uma porrada no espelho. Com o sangue quente, aproveitou e quebrou os outros móveis até ser contido.

Uma semana depois da internação, o soldado responsável por levar os remédios aos pacientes, não encontrou o Domingos na cama. Ele estava no banheiro bebendo o sabonete líquido. Ao ser indagado sobre a razão de fazer aquilo respondeu:

– Estou com uma guerra bacteriológica no estômago e intestinos. ‘Tô’ bebendo sabonete para matar os micróbios que estão brigando aqui dentro…

Tags

Aeronáutica Base Aérea de Belo Horizonte presidente Jair Bolsonaro 

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