Nostálgico, acompanho algumas páginas no Facebook que falam do passado. Sigo os grupos Saudosismo Portovelhense; Fotos antigas de Contagem; Santa Catarina e sua história: Rondônia, minha querida Rondônia; Memórias do Acre e O passado do Rio. Foi justamente esta última que deu-me a inspiração para esta postagem.
Fizeram um comentário sobre o cantor e compositor João Nogueira na celebração dos 20 anos da morte dele (12/11/1941 – 05/06/2000) e uma das músicas – com Paulo César Pinheiro – que mais gosto é “Espelho”. A letra discorre da relação de um filho (JN) com o pai, mesmo depois de morto, em quem se inspira e se reflete. A música termina assim: “(…) E o meu medo maior é o espelho se quebrar…”
Aí vem minha neura. Quem deixa quebrar um espelho tem sete anos de azar. Já quebrei vários, mas segundo a crença, após estes sete anos aziagos, tudo zera e você tem a chance de tentar de novo.
Na minha infância havia várias crenças relacionadas ao espelho, que eram levadas muito à sério. Quando se aproximava uma tempestade, os espelhos eram cobertos (assim como todos os talheres eram guardados em locais protegidos) para não atrair o raios.
Não se devia olhar para o espelho à meia-noite. Uma das duas coisas podia acontecer: Você ver como iria morrer ou ver o “outro mundo”. Nunca tive este tipo de curiosidade, portanto, não sei se a crença procede.
Caso chegasse uma visita em sua casa de quem você desconfiasse dos maus propósitos ou tivesse informações de que era bruxa/o, deveria dar um jeito para que essa pessoa passasse em frente ao espelho. Se a imagem da criatura não se refletisse, podia começar a rezar que a visita era um representante das trevas. Eu correria, mas cada um tem uma reação.
Uma outra citação da palavra “espelho” na minha família, era quando alguém ficava entre você e a televisão, aí se dizia: “Sai da frente, espelho sem aço!”

