Quando eu era criança e chegava à casa dos avós maternos, era recebido “sem prazer” pelo cachorro que tinham lá. O “Tubarão”. Ele não gostava do meu cheiro e se estabacava no portão tentando me pegar. Fiquei com isso na cabeça: o nome do animal interferirá na conduta e no comportamento dele.
Muitos anos depois, já morando em Porto Velho – por volta do ano 2000 -, ganhei um filhote da raça chihuahua, bem pequeno e bem pretinho. Pensei: Vou dar um nome “forte” para este cachorro para que ele toque o terror neste pedaço da rua. Inspirado pela animação “Os Smurfs”, batizei o cãozinho com o nome do gato do malvado Gargamel: Cruel”.
Além de roer as tiras das sandálias, eu oferecia a ele o dorso das minhas mãos, para que o Cruel afiasse os dentinhos. Minhas mãos ficavam arranhadas e os ferimentos gotejavam sangue. Uma tarde em que estava em casa, ouvi o Cruel latindo muito: era o leiturista da Ceron, fazendo a coleta de dados para a futura conta. Pensei: Está indo pelo caminho do bem!
Mas a alegria durou pouco. Cheguei do trabalho e ao dar a volta no carro, vi um menino, vendedor de picolés, agachado perto da grade, com um dedo para dentro, cutucando a barriga do Cruel, que estava com as quatro patas para cima!
Só falei: – Isso é um cachorro sem qualidades! E abandonei a doutrinação…
Ontem, pensando em escrever sobre este assunto, pesquisei e fiquei sabendo que há uma tabela alfa-numérica onde você “descobre a personalidade do seu pet. O Cruel representa 3+9+3+5+3 = 23 // 2+3= 5 – “Características: Inteligência e vivacidade” // “Convivência: É preciso tomar cuidado com portões e janelas abertas, já que ele pode ter a tendência de fugir”.
O Cruel morreu por volta de 2004 com problema nos rins, só soube hoje pelo meu filho Guilherme.



