29 de abril de 2021

Telesex (ou já não fazem amor como antigamente)

Por José Carlos Sá

[Esta crônica foi escrita em julho de 1995, inspirada por um colega que ligou para um desses ‘serviços’, que na época eram populares]

Sexo por telefone, como fazer?

Na repartição todos se ocupavam com passatempos: palavras cruzadas, receitas de bolos, comendo pães sem manteiga ou, igual a mim, lendo o jornal da primeira à última página, inclusive os classificados.

Depois de ler uns anúncios de detetives particulares especializados em problemas conjugais, deparei-me com um tal de “Telesex”. O anúncio não dizia muita coisa ou explicava o que era vendido. Só mostrava sei-lá-o-quê e o número de um telefone.

Olhei em volta e todos continuavam ocupados em suas ociosidades. Peguei o telefone e liguei para o número do anúncio. Uma voz macia atendeu, dizendo um “alô” mais cumprido que já ouvi. Perguntei o que era o telesex e como é que se fazia isso. Ela gentilmente – depois de anotar o número do meu cartão de crédito – explicou que nós dois conversaríamos, eu falando as minhas fantasias sexuais e ela, de lá, do outro lado da linha, ajudando a torná-las reais.

Em princípio gostei da ideia. A voz era sussurrada em meu ouvido e perguntei como faria para encontrá-la. Pasmei com a resposta: – Você não entendeu, meu bem! É só por  telefone. Nós não nos veremos ou nos tocaremos, apenas vamos conversar…

Eu não entendia mais nada. “Como”, perguntei, “Fazer sexo por telefone? Posso ser um pouco antiquado, papai-mamãe, essas coisas, mas fazer por telefone?!?!?!? Nem por fax daria certo! A estas alturas fiquei preocupado com os meus colegas, se estavam ouvindo aquela esdrúxula conversa.

Todos continuavam cabisbaixos concentrados. A mulher, do outro lado da linha, já se impacientava: – Como é que é, ô cara? Vâmo nessa ou não? Você fica aí gastando seus impulsos telefônicos  e eu aqui gastando meus impulsos sexuais…

Tentei argumentar mais uma vez, mas ela bateu o telefone, depois de informar que o meu tempo acabara. Continuei lendo os classificados do jornal e o cérebro tentando decifrar mais este mistério: sexo por telefone!  E  eu pensando que já tinham inventado tudo nesse mundo…

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Crônica Diário da Amazônia Porto Velho Telesex 

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