24 de abril de 2021

Ela virá a tempo?*

Por José Carlos Sá

Ninguém sabia se ela chegaria a tempo (Ilustra Casa da Química)

Estavam todos nervosos.

Pelos cantos da casa as pessoas comentavam em voz baixa: Será que ela chega a tempo, será que ela virá? Faltavam apenas dois dias para o casamento e ela nada, nem sinal. A noiva, nervosíssima, caminhava impaciente.

Ora checava os preparativos da festa, ora dava uma bronca na costureira que arrematava o vestido de gala.

O pai, este assistia ao vai-e-vem das mulheres sem nada comentar. Se ela viesse ou não, para ele pouco importava. Caiu na bobagem de dizer isso e a mulher e as filhas só faltaram bater nele. Chamaram de machista insensível e ele não disse mais nada. Ficou mudo em seu canto.

Enfim o dia do casamento. A casa parecia viva, latente, com as pessoas desprendendo mais energia que uma hidrelétrica. A festa estava marcada para as 15 horas. Às 14h30, o anúncio que todos esperavam: ela chegou. A noiva, a mães, as irmãs, tias, primas aliviadas. O pai nada comentou – gato escaldado…

Só quem não gostou da chegada da menstruação foi o noivo, que esperou três dias para iniciar a lua-de-mel.

*Crônica publicada na página Lítero-Cultural, no Alto Madeira, editada pelos amigos Selmo Vasconcelos e Bahia, dia 01/04/1998

 

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Alto Madeira Crônica Lítero-Cultural Selmo Vasconcelos 

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