07 de fevereiro de 2021

Fé em São Jorge

Por José Carlos Sá

Soldados brasileiros, da FEB, em treinamento no Rio de Janeiro (Foto FEB/Divulgação)

Na manhã de hoje (07/02) ouvi na rádio CBN a entrevista do senhor Agenor Tabica, 93 anos, que foi vacinado em São Paulo. Ele contou à repórter que foi voluntário para ingressar na FEB (Força Expedicionária Brasileira) e participar do esforço contra o Eixo. No entanto, quando estava no porto  do Rio de Janeiro para seguir rumo à Itália, a Segunda Guerra Mundial acabou.

Seu Agenor comparou o fim daquela época (II Guerra Mundial) com os nossos tempos de pandemia: “Graças a Deus a guerra acabou para o mundo todo. Eu estou aqui com 93 e tenho a impressão que vai melhorar tudo, não só para mim, mas para muitas pessoas que tanto precisam nesse mundo. Essa maldita doença [a Covid] que apareceu… Eu peço todos os dias nas minhas orações para desaparecer do mundo, não só do Brasil, mas do mundo”.

O meu ex-sogro, seu João, também passou pela frustração de não ir para a II Grande Guerra. Ele se alistou como voluntário no 12º Regimento de Infantaria (hoje 12° Batalhão de Infantaria), de Belo Horizonte e foi aprovado. Só aí contou para os pais que iria para a guerra. A mãe dele, claro, desaprovou a ideia e disse: “Meu filho, você não vai para a guerra. Vou ‘pegar’ com São Jorge e ele não vai deixar”.

Seu João sabia da força das orações da mãe e pediu para que ela o deixasse ir para a Itália. A matriarca não disse nada, mas o abençoo no dia em que a tropa mineira seguiu, de trem, para o Rio de Janeiro. Foram poucas, mas duras semanas de treinamento. Finalmente, já uniformizados, armados e municiados, os soldados foram para o porto para embarcar no navio. Foi só o trabalho de descerem dos caminhões, entrar em forma e ouvir dos oficiais: “Podem voltar para suas casas, a guerra acabou!”

Muito *uto, o seu João ainda cometeu uma heresia, xingando em pensamento o São Jorge!