Um grupo de jovens tenentes, formados na Escola Militar do Realengo entre 1918 e 1920, foi o protagonista de vários levantes militares no Brasil, da também jovem República. Em 1922 eles se rebelaram contra a conhecida política “café com leite”, em que a Presidência da República era ocupada, em rodízio, ora por um mineiro, ora por um paulista. A escolha dos nomes era feita pela maioria dos governadores, com exceção dos governadores do Rio Grande do Sul e da Bahia. Os demais governadores não queriam se indispor contra os dois Estados mais ricos da Federação. Além disso, as eleições eram fraudadas.

Militares rebelados no Forte Copacabana saem pela Avenida Atlântida para a morte. Apenas dois sobreviveram, sem contar as deserções (Foto Zenóbio Rodrigues Couto/Revista O Malho)
Depois da revolta de 1922, com os 18 do Forte Copacabana, aconteceu outra rebelião em 1924, em São Paulo, tendo entre os rebeldes de 22, apenas Eduardo Gomes. O objetivo era assassinar o governador Carlos Campos, depois as tropas partiriam para o Rio de Janeiro, para destituir o presidente da República Arthur Bernardes, que mantinha o país sob Estado de Sítio, desde a rebelião de Copacabana. As tropas legalistas reagiram e bombardearam a capital paulista, com canhões e bombas arremessadas de aviões, matando centenas de inocentes.
Fugindo de São Paulo, ainda em 1924, o teatro de operações rebeldes se deslocou para o Rio Grande do Sul, apoiando o levante para ocupar o Estado. O tenente Luiz Carlos Prestes – também da turma de oficiais de 1918 – servia em Santo Ângelo, no 1º Batalhão Ferroviário. Outra derrota e as tropas rebeldes recuaram até Foz do Iguaçu, no Paraná. alguns oficiais se refugiaram no Paraguai. Desta última tentativa de golpe surgiu a Coluna Prestes (1925-1927).
Algum tempo depois, em 1931, Prestes seguiu para a União Soviética, acompanhado e das irmãs, retornando no final de 1934 para preparar a Intentona Comunista de 1935, que como o nome já entrega, foi uma tentativa, sem sucesso. Luiz Carlos Prestes ficou nove anos preso, sendo libertado a tempo de apoiar o candidato de Getúlio Vargas à presidência da República, Eurico Gaspar Dutra.
Alguns tenentes se tornaram governadores-interventores; foram candidatos à Presidência da República; participaram da tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubistchek e conspiraram para a revolução de 1964, em que alguns antigos rebeldes ocuparam ministérios.
Um livro interessante, cheio de detalhes de bastidores, que são omitidos nos livros de História.
Tenentes: A guerra civil brasileira – Pedro Doria – Editora Record/Rio de Janeiro/2016

