03 de agosto de 2020

Bromas

Por José Carlos Sá

Pinochet e Geisel, em Brasília, em 1974 (Foto arquivo O Globo)

Contam que após participar da posse do presidente Ernesto Geisel em Brasília, dia 15 de março de 1974, o presidente chileno Augusto Pinochet e comitiva se dirigiram ao Rio de Janeiro, sem agenda oficial.

Numa noite, os chilenos foram levados a uma boate em Copacabana, que naquele tempo eram chamadas de “inferninhos”, onde havia o serviço de bar e “garotas generosas”. Logo à entrada, em uma alcandora dourada estava um papagaio que recebia os fregueses dizendo:

– ¡Buenas noches, caballeros. Entra y pónganse cómodos!

Pinochet ficou encantado com o papagaio e nem quis saber das “acompanhantes” e começou a oferecer à dona do estabelecimento altas somas de dinheiro pela ave. A cafetina dizia que o papagaio era como um membro da família. Não tendo sucesso, um dos seguranças do presidente telefonou para um colega brasileiro, que levou o problema a um superior. Trinta minutos depois um jipe do Exército parou na porta da boate, um coronel entrou e falou para a cafetina: “Ou você vende o papagaio ou vamos fechar o seu *uteiro!”

Sem opção e com o coração quebrado, ela viu os chilenos levando o seu xeribabo (a mulher morou no Pará!).

A comitiva apressou o retorno a seu país. Ao chegar em Santiago, Pinochet convocou uma reunião ministerial para mostrar a aquisição.

O poleiro do papagaio foi colocado na entrada do gabinete presidencial no palácio La Moneda. Em fila, os ministros foram chegando. Primeiro os ministros civis e o papagaio os saudava:

– ¡Buenos dias, caballeros. Entra y ponte como em casa!

E os ministros diziam: – ¡Que Maravilla!, ¡Que espectacular!, ¡Quão delicado! e etc. Logo começaram a chegar os ministros militares, todos fardados.

O papagaio, ao vê-los, arrepiou as penas do pescoço e se virou de costas para a porta e gritou:

– ¡Arriba, putas! ¡Llegaron a la policía!