01 de agosto de 2020

Romaria à Lapa em pau-de-arara

Por José Carlos Sá

No passado, milhares de romeiros visitavam o santuário de Bom Jesus da Lapa (Foto arquivo A Voz da Bahia – 29/07/2014)

Neste ano não haverá a tradicional romaria à Bom Jesus da Lapa, cidade situada no oeste da Bahia, a 796 quilômetros de Salvador. Tradicional porque é feita há 328 anos entre os dias 28 de julho e 06 de agosto. Devido à pandemia as cerimônias religiosas serão realizadas sem público, mas transmitida pelas plataformas digitais do santuário no Facebook e no Youtube (youtube.com/user/santuariolapa). A TV Aparecida e a TV Divino Pai passam a exibir as cerimônias a partir do dia 3 de agosto.

O Santuário fica em uma gruta escavada na pedra (Foto Vagner Gama/Arquivo pessoal)

Segundo a matéria da UOL, “o santuário está encravado em uma gruta com 50 metros de comprimento, 15 metros de largura e 7 metros de altura. Este espaço pode abrigar até 15 mil romeiros, mas neste ano terá no máximo 40 presentes”. Bom Jesus da Lapa é o terceiro destino de turismo religioso do Brasil, perdendo para Aparecida (SP) e Juazeiro do Norte (CE).

Não conseguimos lembrar que ano foi (sei que no início da década de 1960), acompanhamos Paíto, Cida e eu, a mãe e mais duas pessoas que foram com ela, numa romaria dessas na carroceria de um caminhão chamado pau-de-arara. Foram dias de viagem em mais de 700 quilômetros de estradas esburacadas e empoeiradas.

Do santuário não me recordo, apenas que os romeiros foram levados em grupos para uma caverna, onde o guia apagava a lanterna para “vermos Nossa Senhora”. Ninguém viu naquele dia. Depois o guia nos mostrou o que parecia ser a marca de uma ferradura em uma pedra e se saiu com essa: “Aqui é a marca da ferradura do jumentinho que levava Maria e o menino Jesus em fuga de Herodes”! Deu uma volta grande, pois a Bahia é distante do Egito quase nove mil quilômetros.

Outra coisa que lembro é que em uma parada para o xixi, uma mulher vendia refresco e lavava todos os copos na água de uma bacia. A água não era renovada, daí declinamos o prazer de beber o refresco.