Vagabundeei nas últimas semanas e suspendi as leituras que estavam seguindo uma rotina de dois livros a cada sete dias. Às vezes lendo dois livros em paralelo.
Mais uma indicação da Marcela, o Pimentas – Para provocar um incêndio, não é preciso fogo, do Rubem Alves, aquele autor que foi proscrito pela Secretaria de Educação de Rondônia em fevereiro deste ano (não sei o que deu essa história, a pandemia mudou meu foco).
As crônicas nesse livro (Editora Planeta/2014) são deliciosas. Fiz uma viagem à minha infância em Minas Gerais, de ouvirmos estórias em volta do fogão a lenha, como escreve o professor Rubem Alves, “Eram sempre as mesmas. A gente já sabia. Mas era como se ele [pai] estivesse contando pela primeira vez. Vinha sempre o assombro, o medo, os arrepios na espinha”.
Outra crônica que me levou instantaneamente para Teófilo Otoni, foi aquela em que ele falando dos gatos, conta a história de um gato que encurralado por um padre em um quarto, saltou e enfiou as garras na garganta do sacerdote, matando-o. Essa é, particularmente, uma das estórias que ouvi na tenra infância (primeira vez que uso esse termo) e ainda me provoca calafrios.
Há explicações sobre bruxas, sobre obras de arte, sobre criação, sobre a morte, sobre árvores e pássaros. Tudo com delicadeza.
São 74 crônicas e o último trabalho do pedagogo, poeta, cronista, teólogo e psicanalista, que morreu em 2014. Recomendo.

