28 de junho de 2020

Pimentas – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

Vagabundeei nas últimas semanas e suspendi as leituras que estavam seguindo uma rotina de dois livros a cada sete dias. Às vezes lendo dois livros em paralelo.

O último livro de Rubem Alves, Pimentas (Foto divulgação)

Mais uma indicação da Marcela, o Pimentas – Para provocar um incêndio, não é preciso fogo, do Rubem Alves, aquele autor que foi proscrito pela Secretaria de Educação de Rondônia em fevereiro deste ano (não sei o que deu essa história, a pandemia mudou meu foco).

As crônicas nesse livro (Editora Planeta/2014) são deliciosas. Fiz uma viagem à minha infância em Minas Gerais, de ouvirmos estórias em volta do fogão a lenha, como escreve o professor Rubem Alves, “Eram sempre as mesmas. A gente já sabia. Mas era como se ele [pai] estivesse contando pela primeira vez. Vinha sempre o assombro, o medo, os arrepios na espinha”.

Outra crônica que me levou instantaneamente para Teófilo Otoni, foi aquela em que ele falando dos gatos, conta a história de um gato que encurralado por um padre em um quarto, saltou e enfiou as garras na garganta do sacerdote, matando-o. Essa é, particularmente, uma das estórias que ouvi na tenra infância (primeira vez que uso esse termo) e ainda me provoca calafrios.

Há explicações sobre bruxas, sobre obras de arte, sobre criação, sobre a morte, sobre árvores e pássaros. Tudo com delicadeza.

São 74 crônicas e o último trabalho do pedagogo, poeta, cronista, teólogo e psicanalista, que morreu em 2014. Recomendo.

Tags

Editora Planeta Minas Gerais Rubem Alves Teófilo Otoni 

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