10 de abril de 2020

Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

Este e-book também encontrei na Biblioteca do Senado Federal. O autor Hércules Florence, francês, fez parte da missão científica comandada pelo barão Georg Heinrich von Langsdorff, cônsul geral da Rússia no Brasil e financiada pelo czar daquele país, Alexandre I. A Expedição saiu de São Paulo pelo rio Tietê e tinha a pretensão de ir navegando até o rio Orinoco, na Venezuela, daí retornando pela costa do Oceano Atlântico para o Rio de Janeiro. A viagem pelos sertões do Brasil aconteceu de 1825 a 1829.

Porto de Cuiabá (Desenho Hércules Florence)

Mas não deu certo. O primeiro desenhista convidado para a Expedição, Maurício Rugendas, desistiu sendo substituído por  Amado Adriano Taunay. Este se afogou ao tentar atravessar o rio Guaporé a nado. As febres transmitidas por mosquitos atacaram a expedição, que navegando pelo rio Tapajós, apressaram para chegar ao Pará, dando a missão como concluída. O barão Langsdorff retornou para a Europa com sérios problemas mentais.

A cidade de Cuiabá, no século XIX (Desenho Hércules Florence)

Os originais do livro, escrito em formato de diário pelo também desenhista Florence, ficou perdido por muitos anos e foram encontrados por acaso pelo escritor Alfredo d’Escragnolle Taunay, que já citei aqui os livros Retirada de Laguna e Recordações de Guerra e Viagem. Taunay traduziu e editou o diário, publicando o livro com autorização de Florence, que continuou morando no Brasil. O interessante do livro são as descrições dos nossos caboclos, índios, animais, pássaros, costumes, tudo sob o ponto de vista de um europeu, recém desembarcado no país.

Hércules Florence fala das impressões que teve ao visitar Vila Bela da Santíssima Trindade, onde entrou no antigo palácio do vice-rei. O prédio foi abandonado com móveis, documentos e obras de arte nas paredes. Lembrei-me de uma das aulas de História ministradas pelo professor Marco Teixeira, que narrou este episódio do abandono da vila pelos portugueses, deixando os escravos sem nenhuma assistência.

E a quarentena continua…