
Levaram tudo, menos o banheiro — talvez por respeito às necessidades humanas (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)
O telefone tocou perto das quatro da tarde de domingo. Eu estava me acordando para assistir ao jogo do Brasil contra a Noruega. Pensei: seja o que for, vai ficar para depois do jogo. Isso se eu não estiver bêbado novamente, pois só hoje cedo terminei a ressaca de ontem.
Era o sargento da polícia rural (Ih… o que eu fiz?) que, depois de muito arrodeio, perguntou se eu tinha vendido a nossa casinha lá na Rondinha. Respondi que não e ainda brinquei: “Está interessado, sargento? Podemos fazer negócio.”
Ele me interrompeu e perguntou há quanto tempo eu não ia lá na propriedade. Comecei a ficar preocupado.
— O que aconteceu, sargento? A casa pegou fogo? No ano passado o Cibides botou fogo na roça dele sem fazer aceiro e quase pegou fogo na casa. A sorte é que eu e os meninos estávamos lá…
— …
— O quê?
— …
— O senhor pode repetir?
— …
— Desmontaram? Desmontaram como? Levaram a madeira, telhado, colunas???
— …
— Sobrou só banheiro? E os vasos de plantas da mulher?
— …
— Ai, meu Deus… Muito obrigado, sargento. Eu passo amanhã na delegacia… Que disgrama!
— …
— Não, eu não falei com o senhor… Falei comigo mesmo… Muito obrigado…
E, para completar, a seleção brasileira ainda foi desclassificada da Copa do Mundo.
[Crônica LXXIX/2026]
