17 de junho de 2026

História com tempero de fofoca –  A resenha de hoje

Por José Carlos Sá

Este foi mais um livro que comprei pela capa, cujo nome já antecipava o conteúdo: “São José da Terra Firme ou simplesmente São José”, editado pelo autor Thiago de Souza em 1981.

O livrinho que conta histórias e fofocas de São José da Terra Firme (Reprodução)

Nas cinquenta páginas, temos uma narrativa sobre a história da cidade de São José desde os tempos em que a região era habitada pela nação Carijó. O território josefense se estendia de Lages ao Estreito, tendo como limite norte São Francisco do Sul e, ao sul, Laguna.

O autor usa e abusa dos adjetivos para contar os fatos históricos e a vida da cidade: a construção de igrejas, teatro, Casa de Câmara e Cadeia, além de destacar filhos ilustres.

Nesse ponto, fiquei surpreendido pela opinião sobre o coronel da Guarda Nacional Joaquim Xavier Neves. Eu o tinha como herói josefense, mas sua imagem foi destruída — ou, no mínimo, chamuscada — pela narrativa de episódios em que o futuro avô do governador Hercílio Luz aparece como oportunista.

Defensor do liberalismo na época da Guerra dos Farrapos, chegou a ser eleito presidente da República Juliana. Não conseguiu, porém, tomar posse em Laguna, pois São José estava sitiada por tropas imperiais. Mesmo assim, liderava rebeldes enquanto buscava junto ao governo da Província ser indicado comandante da defesa de São José contra os revoltosos que marchavam rumo a Desterro. Era colocar a raposa para tomar conta do galinheiro.

A estratégia quase deu certo, mas logo o novo presidente da Província de Santa Catarina, Francisco José de Sousa Soares de Andrea, o chamou a palácio, ironizando-o como “colega presidente” e transmitindo abraços “pelo Regente em nome de Sua Majestade, o Imperador”. Em seguida, foi direto: “Sua cabeça responderá por qualquer tentativa de subversão que houver na Capital e arredores.”

Thiago de Souza relata ainda que Xavier Neves foi incumbido de abrir a estrada entre São José e São Pedro de Alcântara, onde seria instalada a primeira colônia de alemães no Brasil.

A rixa entre os dois vigários entrou para a história de São José (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)

Outro episódio narrado, em tom quase de fofoca, foi a rixa entre padres durante os festejos pela elevação de São José de Vila à categoria de cidade. O vigário de Desterro, padre Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva, estava escalado para o sermão da missa solene. Mas o vigário local, padre Macário Cesas de Alexandria, não aceitou que um “padre de fora” ocupasse o púlpito. A disputa virou escândalo: quando Macário finalmente entregou a chave, Paiva se recusou a pregar. No fim, Paiva fez apenas uma oração na Câmara de Vereadores, enquanto Macário cantou o Te Deum sozinho — sem vereadores e sem povo.

O livrinho ainda lista as autoridades de 1981, incluindo entre os vereadores da legislatura o atual prefeito Orvino Coelho de Ávila.

A obra São José da Terra Firme ou simplesmente São José pode ser encontrada em bibliotecas ou sebos — com sorte, como aconteceu comigo.

A propósito, nada encontrei sobre o autor na internet, além da informação de que o livro ganhou nova edição em 1992.

[Resenha XV/2026]