
Sherlock Zeca: A dedução foi uma das ferramentas usadas para encontrar informações ocultas (Imagem criada pelo IAgo Copilot/Prompt JCarlos)
Ontem publiquei uma descoberta feita enquanto buscava fotografias da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré no acervo do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Foi nesse pesquisa que soube de uma missão científica norte-americana que esteve na Amazônia, no início da década de 1920, para saber sobre as seringueiras e a produção de borracha natural.
No imenso acervo de fotos e negativos em vidro — um verdadeiro milagre de imagens — encontrei, em sequência, fotografias de um grupo de escoteiros em atividade. Como em muitos materiais arquivados, faltavam informações que permitissem identificar o local e a data em que foram feitas.
Para começar, coloquei uma das fotos (Foto acima), mostrando um escoteiro, no Google Lens. A ferramenta informou: “Esta imagem mostra uma fotografia antiga de um jovem com uniforme de escoteiro posando com uma vara de barraca”. Nas correspondências visuais, surgiram soldados da Primeira Guerra Mundial, que usavam chapéus de abas retas, iguais aos clássicos chapéus escoteiros.
Perguntei então ao meu assistente, o IAgo Copilot, que fez uma análise mais apurada e sugeriu que, pelo uniforme, a foto poderia situar-se entre as décadas de 1930 e 1950, período de expansão do Movimento Escoteiro no Brasil.
Ainda não satisfeito, passei a analisar todos os dados contidos nas oito fotos de escoteiros que encontrei no acervo, além das imagens do fotógrafo Roberto Dalforge arquivadas em sequência — provavelmente fruto de uma mesma campanha fotográfica.
Foram horas avançando e retrocedendo pelas páginas do acervo até chegar a algumas conclusões, embora ainda haja pontos a esclarecer.
O que pude deduzir foi que Roberto Dalforge era funcionário do Jardim Botânico e esteve no município de Itatiaia — na divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais — para registrar as obras das instalações que hoje compõem o Parque Nacional do Itatiaia. Esse trabalho aconteceu em 1929.
Além da construção, Roberto fotografou um grupo escoteiro que provavelmente excursionava e acampava na região. Também registrou pessoas bebendo leite ao pé de uma vaca e uma vista da localidade de Monte Serrat, hoje chamada Comendador Levy Gasparian, distrito fluminense de Itatiaia.
Não consegui identificar qual era o grupo escoteiro que permaneceu anônimo no trabalho do igualmente pouco conhecido Roberto Dalforge.
Em contato com o Jardim Botânico, o funcionário Raul Ribeiro, da Divisão de Museu e Acervo, explicou que o atendimento era presencial ou via site da instituição. Depois, gentilmente, enviou-me os dados sobre o fotógrafo, que reproduzo:
“Roberto Delforge atuou como fotógrafo do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), provavelmente entre as décadas de 1930 e 1950. Com base no acervo preservado em nossas reservas técnicas, constatamos sua importante participação nos registros do Parque Nacional de Itatiaia, período em que este era gerido pelo JBRJ sob a direção de Paulo Campos Porto [1934 a 1938 e de 1951 a 1961]*. Sabemos, ainda, que ele era ilustrador e que faleceu nos anos 1960, em um grave acidente rodoviário no estado de Goiás”.
(*Acréscimo meu.)
Apesar da informação situar as atividades de Delforge no JBRJ a partir de 1930, há muitas fotos creditadas a ele em anos anteriores — o que não invalida o esclarecimento. Incluí no final dessa postagem uma auto foto do fotógrafo misterioso.
Deixo o tema em suspenso, como quem fecha um álbum sem saber se um dia encontrará as legendas perdidas.
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[Crônica CXXIV/2026]









