
Os gringos vieram pesquisar sobre a produção de borracha natural (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos) [Era para ser a imagem de um gringo com um “porongo” – lamparina que os seringueiros usavam presa à cabeça quando entravam nas estradas de seringa, ainda de madrugada – mas os “inteligentes artificiais” não entenderam a coisa]
Assisti ao documentário e, na parte que tratava do acervo fotográfico, foi citada a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, um dos meus assuntos favoritos. Anotei o endereço eletrônico do Jardim Botânico e, em um dia de poucas atividades intelectuais (preguiça de ler e de escrever), resolvi procurar as tais fotos da EFMM. Quem sabe encontrava alguma imagem “inédita”, feita por algum pesquisador que andou lá pelo Norte.
O saldo da pesquisa foi, em parte, decepcionante quanto as fotos originais. Encontrei 17 imagens: dez diretamente relacionadas à Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e as demais sobre outros temas.
Entre as fotos do acervo do Jardim Botânico havia cinco de autoria do fotógrafo Dana Merrill, contratado para acompanhar as obras da ferrovia, mas seu nome não consta nas fichas técnicas que as identificam.

Trecho em obra na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré – Foto Dana Merrill – Acervo JBRJ (Reprodução)

Maquinista e locomotiva da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré – Foto Dana Merrill – Acervo JBRJ (Reprodução)

Empregados da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré com proteção contra mosquitos – Foto Dana Merrill – Acervo JBRJ (Reprodução)

Enfermaria do Hospital da Candelária da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré – Acervo JBRJ – Missão Norte-Americana (Reprodução)

Residência do médico do Hospital da Candelária da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré – Acervo JBRJ – Missão Norte-Americana (Reprodução)
Minha dedicação, porém, foi premiada com uma descoberta: parte das fotos integra o registro da passagem da Missão Oficial Norte-Americana de Estudos do Vale do Amazonas, que esteve no Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia e Equador entre 1923 e 1924. A missão veio estudar alternativas para a produção de borracha a partir do plantio racional de seringueiras.
A delegação reunia especialistas em solo, economia e botânica, além de representantes do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, da Embaixada norte-americana no Brasil e de empresas “donas” de seringais nativos na Amazônia.
Acompanhavam a missão representantes do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, por seu presidente, o catarinense João Geraldo Kuhlmann, e funcionários dos Ministérios da Saúde e da Agricultura.
A American Rubber Mission foi criada por determinação do Congresso dos Estados Unidos, num contexto em que a Inglaterra dominava a produção mundial de borracha natural. Os norte-americanos consumiam 75% dessa borracha, mas o mercado era controlado por ingleses e holandeses.
Os relatórios da missão embasaram os investimentos de Henry Ford na tentativa de construir um complexo industrial na Amazônia — a Fordlândia — para plantar seringueiras e garantir uma fonte autônoma de borracha natural. Era essencial para fabricar pneus, mangueiras e outras peças automotivas, livrando a empresa do controle de preços imposto pelos monopólios coloniais europeus. O empreendimento durou 18 anos e, desde 1945, está abandonado nas selvas do Pará.
Mais uma vez, atirei no que vi e acertei em algo muito maior — que estava atrás do meu alvo e, pelo tamanho, eu não conseguia enxergar.
Não encontrei o que procurava, mas fiquei mais sabido…
[Crônica CXXIII/2026]





