07 de junho de 2026

Prometendo o que não é seu

Por José Carlos Sá

O candidato promete até o que não pode dar (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot/Edição JCarlos)

Quando se abre a temporada de caça ao eleitor, uma das armas mais usadas é a promessa de emprego — especialmente um cargo comissionado em algum órgão público ligado à função que o candidato almeja. Promete‑se até lugar no céu e assento à mesa do Pai Eterno.

Há também quem peça. Negociam para si ou para terceiros cargos no primeiro escalão ou uma sinecura qualquer. Alguns, com aquela indiferença calculada, pedem “apenas” acesso à autoridade, quando esta ocupar o cargo em disputa.

É aí que mora o perigo. O acesso é a chave para que negócios não‑republicanos sejam engendrados. A história do Brasil está cheia de casos de corrupção praticada por quem se dizia amigo do “rei” — desde D. João VI até hoje, quando a majestade pode ser presidente, governador, prefeito ou qualquer um que mande em alguma coisa.

Após a posse de um governador em Rondônia, um correligionário foi cobrar a nomeação de um apadrinhado para o cargo de diretor de uma escola. A assessoria preparou o decreto, que foi assinado e publicado no Diário Oficial.

Uma delegação composta pelo cabo eleitoral, pela indicada e por familiares em roupas de festa, munida de uma cópia xerox do decreto, foi tomar posse na escola.

Chegaram e se dirigiram à diretoria. A diretora os recebeu e perguntou a razão da visita.

— Estamos aqui — disse o chefe da comissão — para que a senhora Fulana tome posse como diretora desta escola.

A diretora ficou assustada.

— Mas eu não fui avisada…

— Está aqui o decreto do governador, com a nomeação. A senhora pode recolher seus objetos pessoais e muito obrigado pelos serviços prestados.

— Não estou entendendo… Decreto do governador?

— Sim, a senhora pode ver aqui.

E estendeu a cópia para a mulher, que não acreditava no que via e ouvia.

— Acho que houve um engano…

— Engano nenhum — retrucou o homem, já sem paciência. — Aqui não é a escola Beltrano de Tal, do SESI?

— É sim.

— Então, a diretora da escola Beltrano de Tal agora é a professora Fulana, por ordem do governador.

— Acontece, senhor, que esta é uma escola particular. O governador não pode nomear alguém para dirigi‑la.

— Hein? É particular? Eu sempre pensei que fosse do governo…

E a comitiva saiu dali murcha e cabisbaixa. Não sei como o sujeito se explicou para a quase futura diretora da “escola do Sesi”.

[Crônica CXVIII/2026]

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Caça aos votos Campanha eleitoral Cargo público Porto Velho Rondônia Sesi Sinecura 

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