
O candidato promete até o que não pode dar (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot/Edição JCarlos)
Quando se abre a temporada de caça ao eleitor, uma das armas mais usadas é a promessa de emprego — especialmente um cargo comissionado em algum órgão público ligado à função que o candidato almeja. Promete‑se até lugar no céu e assento à mesa do Pai Eterno.
Há também quem peça. Negociam para si ou para terceiros cargos no primeiro escalão ou uma sinecura qualquer. Alguns, com aquela indiferença calculada, pedem “apenas” acesso à autoridade, quando esta ocupar o cargo em disputa.
É aí que mora o perigo. O acesso é a chave para que negócios não‑republicanos sejam engendrados. A história do Brasil está cheia de casos de corrupção praticada por quem se dizia amigo do “rei” — desde D. João VI até hoje, quando a majestade pode ser presidente, governador, prefeito ou qualquer um que mande em alguma coisa.
Após a posse de um governador em Rondônia, um correligionário foi cobrar a nomeação de um apadrinhado para o cargo de diretor de uma escola. A assessoria preparou o decreto, que foi assinado e publicado no Diário Oficial.
Uma delegação composta pelo cabo eleitoral, pela indicada e por familiares em roupas de festa, munida de uma cópia xerox do decreto, foi tomar posse na escola.
Chegaram e se dirigiram à diretoria. A diretora os recebeu e perguntou a razão da visita.
— Estamos aqui — disse o chefe da comissão — para que a senhora Fulana tome posse como diretora desta escola.
A diretora ficou assustada.
— Mas eu não fui avisada…
— Está aqui o decreto do governador, com a nomeação. A senhora pode recolher seus objetos pessoais e muito obrigado pelos serviços prestados.
— Não estou entendendo… Decreto do governador?
— Sim, a senhora pode ver aqui.
E estendeu a cópia para a mulher, que não acreditava no que via e ouvia.
— Acho que houve um engano…
— Engano nenhum — retrucou o homem, já sem paciência. — Aqui não é a escola Beltrano de Tal, do SESI?
— É sim.
— Então, a diretora da escola Beltrano de Tal agora é a professora Fulana, por ordem do governador.
— Acontece, senhor, que esta é uma escola particular. O governador não pode nomear alguém para dirigi‑la.
— Hein? É particular? Eu sempre pensei que fosse do governo…
E a comitiva saiu dali murcha e cabisbaixa. Não sei como o sujeito se explicou para a quase futura diretora da “escola do Sesi”.
[Crônica CXVIII/2026]
