30 de maio de 2026

Operação Pai‑de‑Chiqueiro

Por José Carlos Sá

Encontramos, ao invés de drogas, cinco bodes no porta malas do carro roubado (Imagem gerada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)

O plantão estava tranquilo, sem nenhuma ocorrência. O delegado da cidade ligou apenas para pedir que ficássemos atentos a qualquer movimentação estranha. O maior criador de bodes da região havia sido roubado e, entre os animais levados, estava um reprodutor avaliado em dez mil reais.

Rimos muito. Afinal, naquele sertão, um bode de porte médio vivo podia ser comprado por uns R$30 o quilo, em qualquer feira. “Quem vai dar dez ‘pau’ num bode?”, perguntava meu colega, antes de cair na gargalhada.

Durante a manhã, a rodovia parecia um deserto, sem o movimento habitual. Para quebrar a monotonia, resolvemos sair em patrulha. Eu já estava sentado na viatura quando meu intestino resolveu trabalhar. Desembarquei e fiquei no posto, enquanto meu parceiro seguiu sozinho até a cidade.

Enquanto eu estava ocupado, ouvi o ronco de um carro velho passando em alta velocidade. Anotei mentalmente para verificar depois as imagens das câmeras, já que o motorista havia ignorado a placa que obrigava a passar em frente ao posto da polícia rodoviária a 40 km/h.

Resolvida a prioridade, fui conferir as imagens. Vi um Fiat Cronos azul-marinho seguindo no sentido oposto ao da nossa viatura. Pela praxe, chequei a situação do veículo e lá estava: constava na lista de carros roubados.

Acabou a paz.

Chamei meu parceiro pelo rádio e seguimos em perseguição. Rodamos sete quilômetros até avistá-lo. Ligamos sirene e giroscópio e aceleramos. O condutor também pisou fundo e, mais adiante, entrou numa estrada vicinal. Fomos atrás, enfrentando um caminho de terra ruim. Ao chegar numa área de mata, o fugitivo abandonou o carro e correu para dentro da vegetação. Tentamos persegui-lo a pé, mas logo decidimos voltar e chamar a polícia militar para continuar a busca.

Achávamos que se tratava de mais um traficante e esperávamos encontrar drogas no carro. Mas, para nossa surpresa, ao abrir o porta-malas demos de cara com cinco bodes vivos — entre eles o famoso “pai-de-chiqueiro”, avaliado em dez mil reais.

A apreensão virou motivo de piada na corporação e, pelo ineditismo, ganhou manchetes nos jornais da região. Nas redes sociais, não faltaram candidatos a adotar os bichos — que já tinham dono — e críticas à nossa ação, acusando-nos de colocar a vida dos animais em risco caso houvesse troca de tiros.

É cada uma…

[Crônica CXI/2026 – Baseado em fato ocorrido no interior de Pernambuco, no dia 24 de maio de 2026]

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Buenos Notícias Crônica Imprensa tupiniquim Pai-de-chiqueiro PRF 

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