
Constrangimento pelo agrado (Imagem criada pelo assitente IAgo Copilot/Edição e Montagem BN JCarlos)
O presidente norte-americano Donald Trump visitou a China nesta semana, em uma tentativa de reaproximação após marcar seus mandatos por uma política voltada à proteção dos interesses econômicos e de segurança dos Estados Unidos, postura que impactou diretamente as relações bilaterais.
Os resultados dessa visita só poderão ser avaliados em futuro próximo, já que o líder chinês Xi Jinping sugeriu “que a China e os EUA deveriam ser parceiros, não rivais”.
A lembrança inevitável é da histórica visita do então presidente Richard Nixon à China, em 1972. Em plena ebulição da Guerra Fria, com o mundo dividido entre comunistas e capitalistas, a República Popular da China poderia se tornar o fiel da balança, dependendo de qual lado da cortina de ferro pendesse.
A viagem de Nixon atraiu a atenção da imprensa mundial, que enviou correspondentes para acompanhar o acontecimento. Integravam a comitiva oficial cerca de 170 pessoas, incluindo equipe técnica, segurança e jornalistas.
Além da abertura do mercado chinês para o refrigerante Coca-Cola — símbolo máximo do “imperialismo norte-americano” — guardo na memória um episódio curioso, sem relação direta com a aproximação entre as duas potências de ideologias opostas.
Li, na revista Seleções Reader’s Digest, que a esposa de um diplomata da comitiva, querendo parecer simpática aos chineses, usou em uma recepção um broche esmaltado com ideogramas, comprado em um mercado de pulgas de Nova Iorque.
À medida que os cumprimentos se sucediam, assessores perceberam certo desconforto e discretamente sugeriram que a senhora retirasse o adereço. O motivo era embaraçoso: o broche não era um ornamento decorativo, mas um crachá. Nele estava escrito em mandarim: “Prostituta licenciada”.
[Crônica XCVIII/2026]
