22 de abril de 2026

Solidariedade é colocar mão na massa – A resenha de hoje

Por José Carlos Sá

A foto do papa Francisco sorrindo foi que motivou a compra do livro (Reprodução)

O livro A Solidariedade (Editora Benvirá, São Paulo, 2013) integra a Coleção Diálogos da Fé, que reúne outros títulos — Razão e Fé, A Oração e A Dignidade. Todos nasceram de um programa da emissora de TV da arquidiocese de Buenos Aires, exibido entre 2011 e 2013.

O programa, chamado Bíblia: Diálogo Vigente, era conduzido pelo cardeal Jorge Mario Bergoglio e tinha como convidados o protestante Marcelo Figueroa e o rabino Abraham Skorka.

Cardeal Bergoglio, na época dos Diálogos da Fé (TV Orbi 21/Reprodução)

Bergoglio — que viria a ser o papa Francisco — buscava mostrar que é possível uma comunicação inter-religiosa baseada na “cultura do encontro”, conceito que marcou profundamente os 12 anos de seu papado (19 de março de 2013 a 21 de abril de 2025).

Comprei o livrinho pela capa, que traz a foto de Francisco sorrindo, e não me arrependi. Os três líderes — um cardeal, um rabino e um protestante — apresentam visões convergentes sobre o tema da solidariedade. Todos insistem na necessidade de ver o outro, compadecer-se e ajudar. Bergoglio resume: “ser solidário é colocar a mão na massa”.

Marcelo Figueroa com o papa Francisco (Foto L’Observatore Romano/Reprodução)

Marcelo Figueroa, diretor da Sociedade Bíblica Argentina, critica a chamada “solidariedade delegada”: aquela em que se doa dinheiro para uma causa e, com isso, se acredita ter cumprido o dever, sem qualquer gesto de proximidade ou fraternidade. Para ele, isso é uma fuga da responsabilidade pessoal de sentir empatia pelo sofrimento alheio.

O rabino e o papa (Foto Site Avvenire/Reprodução)

Já o rabino Abraham Skorka cita o profeta Isaías: “não ignore o seu irmão”. Ele lembra que a solidariedade começa na família e deve se expandir para todos. “É a atitude do homem que deve aprender a deixar de lado o seu egocentrismo, o seu egoísmo”, afirma.

O livro permanece atual. Leio-o em plena Campanha da Fraternidade de 2026, cujo tema é “Fraternidade e Moradia”. O cartaz mostra Jesus Cristo como morador de rua, numa época em que essa população sofre violências brutais, muitas vezes fatais, sem que os responsáveis sejam punidos.

Solidariedade é dividir o pão (Ilustra Cerezo Barredo/Reprodução)

Os moradores de rua são vistos como um problema estético, não social — “enfeiam nossas ruas”. A solidariedade parece distante: aceitamos como natural que pessoas passem fome, busquem refúgio no álcool e nas drogas, ou que guerras matem centenas de milhares sem motivo claro.

O livro, assinado a seis mãos, é curto em páginas, mas imenso em impacto. Ele leva o leitor a refletir sobre a necessidade de agir diante da dor do próximo.

Serviço

  • O quê: Livro A Solidariedade

  • Quem: Jorge Mario Bergoglio, Abraham Skorka e Marcelo Figueroa

  • Editora: Benvirá

  • Preço: Entre R$4 e R$15, disponível na internet

  • Resenha VII/2026

 [Resenha VII/2026]