O livro A Solidariedade (Editora Benvirá, São Paulo, 2013) integra a Coleção Diálogos da Fé, que reúne outros títulos — Razão e Fé, A Oração e A Dignidade. Todos nasceram de um programa da emissora de TV da arquidiocese de Buenos Aires, exibido entre 2011 e 2013.
O programa, chamado Bíblia: Diálogo Vigente, era conduzido pelo cardeal Jorge Mario Bergoglio e tinha como convidados o protestante Marcelo Figueroa e o rabino Abraham Skorka.
Bergoglio — que viria a ser o papa Francisco — buscava mostrar que é possível uma comunicação inter-religiosa baseada na “cultura do encontro”, conceito que marcou profundamente os 12 anos de seu papado (19 de março de 2013 a 21 de abril de 2025).
Comprei o livrinho pela capa, que traz a foto de Francisco sorrindo, e não me arrependi. Os três líderes — um cardeal, um rabino e um protestante — apresentam visões convergentes sobre o tema da solidariedade. Todos insistem na necessidade de ver o outro, compadecer-se e ajudar. Bergoglio resume: “ser solidário é colocar a mão na massa”.
Marcelo Figueroa, diretor da Sociedade Bíblica Argentina, critica a chamada “solidariedade delegada”: aquela em que se doa dinheiro para uma causa e, com isso, se acredita ter cumprido o dever, sem qualquer gesto de proximidade ou fraternidade. Para ele, isso é uma fuga da responsabilidade pessoal de sentir empatia pelo sofrimento alheio.
Já o rabino Abraham Skorka cita o profeta Isaías: “não ignore o seu irmão”. Ele lembra que a solidariedade começa na família e deve se expandir para todos. “É a atitude do homem que deve aprender a deixar de lado o seu egocentrismo, o seu egoísmo”, afirma.
O livro permanece atual. Leio-o em plena Campanha da Fraternidade de 2026, cujo tema é “Fraternidade e Moradia”. O cartaz mostra Jesus Cristo como morador de rua, numa época em que essa população sofre violências brutais, muitas vezes fatais, sem que os responsáveis sejam punidos.
Os moradores de rua são vistos como um problema estético, não social — “enfeiam nossas ruas”. A solidariedade parece distante: aceitamos como natural que pessoas passem fome, busquem refúgio no álcool e nas drogas, ou que guerras matem centenas de milhares sem motivo claro.
O livro, assinado a seis mãos, é curto em páginas, mas imenso em impacto. Ele leva o leitor a refletir sobre a necessidade de agir diante da dor do próximo.
Serviço
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O quê: Livro A Solidariedade
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Quem: Jorge Mario Bergoglio, Abraham Skorka e Marcelo Figueroa
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Editora: Benvirá
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Preço: Entre R$4 e R$15, disponível na internet
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Resenha VII/2026





