25 de junho de 2025

Reconciliando com John Lennon

Por José Carlos Sá

Lembrando do John Lennon (Imagem criada e editada por IA Designer/Photoroom_Colagem BN JCarlos)

Quando ouvi falar dos Beatles, eu ainda era uma criança pequena em Teófilo Otoni, onde o radialista os anunciava com um empolgado: “Os The Betôus”! Das músicas que tocavam então, só me lembro do refrão de uma, que dava para entender em português: “Ié, ié, ié…” — [“She Loves You”].

Outra influência visível dos roqueiros britânicos na minha cidade era o cabelo: os jovens deixavam a cabeleira crescer e eram olhados com desconfiança pelos mais velhos, que comentavam: “Parece um bitô cabeleira!” A polícia também não gostava da moda importada. Quem fosse pego pela PM acabava com a cabeça raspada com uma máquina manual daquelas que mais arrancavam que cortavam.

Só virei fã mesmo dos Beatles lá pelos meus 14 ou 15 anos, por influência de um colega de trabalho, o Olivier, beatlemaníaco militante. Mais tarde, estudamos na mesma sala, e ele se apaixonou por uma colega. Deixava para ela versos de músicas dos Beatles escritos a giz no quadro-negro — sendo que o mais recorrente era: “Stand by me” [Fique a meu lado, pra ti que não fala inglês], gravada pelo John Lennon já depois do fim do grupo.

O caso dos óculos

Essa história toda é pra falar dos meus óculos novos — e porque hoje é o Dia Mundial dos Beatles (Global Beatles Day), criado por uma beatlemaníaca chamada Faith Cohen, em 2009, para celebrar uma apresentação do quarteto na BBC que os projetou para o mundo.

Voltando ao assunto…

Sempre quis ter óculos de aros redondos, para imitar os do John Lennon. Cheguei a procurar esse tipo de armação nas óticas de Belo Horizonte, mas não encontrei — teria que encomendar, e isso ficava muito acima do meu orçamento magro.

Teve também outro motivo para eu abandonar a homenagem: os boatos de que a Yoko Ono teria apressado o fim da banda. Tomei as dores do Paul McCartney — que, pra mim, foi vítima das “intrigas da japonesa”.

Fui trocar meus óculos há pouco tempo e a balconista da ótica me ofereceu uma armação redonda — não era de metal, como a do Lennon, mas era redonda. Aceitei… e me lembrei dessa cosarada toda.

Olhei no espelho e gostei do efeito. Espero estar fazendo as pazes com John Lennon — que morreu sem saber da minha existência, e menos ainda que eu estava de mal com ele por causa de fofocas de jornalistas.

A vida é assim.

[Crônica CII/2025]