26 de fevereiro de 2025

O Bicentenário de D. Pedro

Por José Carlos Sá

D. Pedro II, pelos pincéis da artista plástica Lídia V. Michetti (Foto JCarlos)

Este ano da graça de 2025 é para ser comemorado o bicentenário de nascimento do nosso primeiro e único monarca brasileiro nato, o meu ídolo D. Pedro II. Nascido em 2 de dezembro de 1825, no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro foi batizado com o singelo nome de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, numa homenagem a parentes importantes das famílias materna e paterna.

Numa pesquisa rápida, encontrei entre os eventos relativos à comemoração, um concerto realizado em dezembro do ano passado, um post na página do Museu Imperial no Facebook e a exposição “D. Pedro II – 200 anos”, promovida pelo Museu Histórico de Santa Catarina “Cruz e Sousa”, que eu visitei e é sobre a qual escrevo.

A exposição foi montada na sala de eventos do museu e mostra objetos e réplicas de itens relacionados ao Imperador D. Pedro II durante o seu reinado, a deposição e a morte, além de homenagens que são prestadas ao soberano até os dias de hoje.

Senti a falta de registro sobre a visita de D. Pedro e D. Tereza Cristina a Santa Catarina, onde desembarcaram dia 12 de outubro de 1845 e perambulam por Desterro, São José, Santo Amaro da Imperatriz e Águas Mornas. 

A única referência à estadia imperial em solo catarinense é uma aquarela da artista plástica Lídia V. Michetti, que faz uma releitura da obra do italiano Vicente Pietro, que acompanhava a comitiva. Nem um exemplar do jornal “O Relator Catharinense”, que foi criado exclusivamente para noticiar a vinda do soberano às terras catarinenses, faz parte da exposição. 

O professor Pedro

Entre tantas razões que tenho para admirar D. Pedro II destaco algumas. Ele era muito bem informado e se correspondia com cientistas e pesquisadores, assinava jornais e revistas da Europa e dos Estados Unidos, acompanhando todas as invenções e inovações que apareciam em um mundo pós-revolução industrial. 

Um exemplo sempre lembrado é a divulgação do telefone, recém-inventado. D. Pedro II viu a invenção na Exposição Internacional do Centenário [da Declaração de Independência dos Estados Unidos], na Filadélfia, em 1876, ficou amigo do inventor, Graham Bell, o que fez o Brasil ser o segundo país do mundo a ter telefone. 

Na mesma Feira eram mostradas outras maravilhas do mundo moderno (lá deles) como a lâmpada elétrica, a máquina de escrever, uma “caneta elétrica”, telégrafo automático e uma máquina de fabricar parafusos.  

Pedro II se preocupava com a educação e concedeu centenas de bolsas de estudo para alunos de todo o país, pagas com o seu próprio dinheiro. Também incentivou a abertura de escolas de qualidade. É atribuída ao imperador a frase: “Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”.

Consta que na visita a Desterro, D.Pedro II destinou algumas horas para ouvir uma aula de latim, visitar escolas, arguir alunos e professores. O redator do jornal “O Relator Catharinense” (aquele criado exclusivamente para ortografia atualizada:

“(…) No dia 22, S. M. o Imperador, acompanhado dos excelentíssimos ministro do Império, presidente da Província e oficiais da Casa Imperial dignou-se honrar com sua presença a aula de Gramática Latina, dirigida pelos padres missionários, a de Primeira Letras do bem acreditado professor José Joaquim Lopes, e o Colégio da sra. Felicidade Cândida da Conceição. Em todos estes estabelecimentos S. M. achou por bem demorar-se em grande espaço, ouvindo as lições, vendo as escritas de alguns alunos e assistindo aos trabalhos de contabilidade de outros. S. M. ficou grandemente satisfeito do estado em que encontrou esses estabelecimentos, do adiantamento dos alunos e da perícia dos professores (…)”.

Era assim o imperador. 

SERVIÇO

O quê: Exposição D. Pedro II – 200 anos

Onde: Museu Histórico de Santa Catarina “Cruz e Sousa”

Quando: Até o dia 29 de março de 2025

Endereço: Praça XV de Novembro – Centro – Florianópolis

Visitas: De terça a sexta-feira, das 10h às 17h30; sábados, das 10h às 13h30 

Entrada gratuita, mediante cadastro que feito na hora ou agendamento pelo site https://www.cultura.sc.gov.br/espacos/mhsc/atendimento

Entrada da exposição no Palácio Cruz e Sousa (Foto JCarlos)

Uma visão panorâmica da mostra (Foto JCarlos)

Área cenográfica (ou instagramável) similar à “Sala do Trono” onde D. Pedro despachava (Foto JCarlos)

Várias homenagens foram feitas e continuam a distiguir D. Pedro II (Fotos JCarlos)

Releitura da aquarela de Vicente Pietro – 1845 !”Chegada de D. Pedro e D. Tereza a Desterro” – Por Lídia V. Michetti (Foto JCarlos)

Meio-busto do imperador D. Pedro II, de autoria desconhecida (Foto JCarlos)

Convite para o funeral e santinho distribuido na ocasião – Paris, 1891 (Foto JCarlos)

D. Pedro no “leito da morte” nas dependências do Hotel Bedford, onde morava – Foto Paul (Nadar) Tournachon, Paris, 1891 (Reprodução JCarlos)

Aproveitei quando não tinha ninguém olhando, ocupei o trono e assinei alguns decretos, dentre eles, a “Lei do Vento Livre” (Foto Sandra S/D)

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Bicentenário D. Pedro II D. Tereza Cristina Desterro Museu Histórico de Santa Catarina Santa Catarina São José 

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