Este ano da graça de 2025 é para ser comemorado o bicentenário de nascimento do nosso primeiro e único monarca brasileiro nato, o meu ídolo D. Pedro II. Nascido em 2 de dezembro de 1825, no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro foi batizado com o singelo nome de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, numa homenagem a parentes importantes das famílias materna e paterna.
Numa pesquisa rápida, encontrei entre os eventos relativos à comemoração, um concerto realizado em dezembro do ano passado, um post na página do Museu Imperial no Facebook e a exposição “D. Pedro II – 200 anos”, promovida pelo Museu Histórico de Santa Catarina “Cruz e Sousa”, que eu visitei e é sobre a qual escrevo.
A exposição foi montada na sala de eventos do museu e mostra objetos e réplicas de itens relacionados ao Imperador D. Pedro II durante o seu reinado, a deposição e a morte, além de homenagens que são prestadas ao soberano até os dias de hoje.
Senti a falta de registro sobre a visita de D. Pedro e D. Tereza Cristina a Santa Catarina, onde desembarcaram dia 12 de outubro de 1845 e perambulam por Desterro, São José, Santo Amaro da Imperatriz e Águas Mornas.
A única referência à estadia imperial em solo catarinense é uma aquarela da artista plástica Lídia V. Michetti, que faz uma releitura da obra do italiano Vicente Pietro, que acompanhava a comitiva. Nem um exemplar do jornal “O Relator Catharinense”, que foi criado exclusivamente para noticiar a vinda do soberano às terras catarinenses, faz parte da exposição.
O professor Pedro
Entre tantas razões que tenho para admirar D. Pedro II destaco algumas. Ele era muito bem informado e se correspondia com cientistas e pesquisadores, assinava jornais e revistas da Europa e dos Estados Unidos, acompanhando todas as invenções e inovações que apareciam em um mundo pós-revolução industrial.
Um exemplo sempre lembrado é a divulgação do telefone, recém-inventado. D. Pedro II viu a invenção na Exposição Internacional do Centenário [da Declaração de Independência dos Estados Unidos], na Filadélfia, em 1876, ficou amigo do inventor, Graham Bell, o que fez o Brasil ser o segundo país do mundo a ter telefone.
Na mesma Feira eram mostradas outras maravilhas do mundo moderno (lá deles) como a lâmpada elétrica, a máquina de escrever, uma “caneta elétrica”, telégrafo automático e uma máquina de fabricar parafusos.
Pedro II se preocupava com a educação e concedeu centenas de bolsas de estudo para alunos de todo o país, pagas com o seu próprio dinheiro. Também incentivou a abertura de escolas de qualidade. É atribuída ao imperador a frase: “Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”.
Consta que na visita a Desterro, D.Pedro II destinou algumas horas para ouvir uma aula de latim, visitar escolas, arguir alunos e professores. O redator do jornal “O Relator Catharinense” (aquele criado exclusivamente para ortografia atualizada:
“(…) No dia 22, S. M. o Imperador, acompanhado dos excelentíssimos ministro do Império, presidente da Província e oficiais da Casa Imperial dignou-se honrar com sua presença a aula de Gramática Latina, dirigida pelos padres missionários, a de Primeira Letras do bem acreditado professor José Joaquim Lopes, e o Colégio da sra. Felicidade Cândida da Conceição. Em todos estes estabelecimentos S. M. achou por bem demorar-se em grande espaço, ouvindo as lições, vendo as escritas de alguns alunos e assistindo aos trabalhos de contabilidade de outros. S. M. ficou grandemente satisfeito do estado em que encontrou esses estabelecimentos, do adiantamento dos alunos e da perícia dos professores (…)”.
Era assim o imperador.
SERVIÇO
O quê: Exposição D. Pedro II – 200 anos
Onde: Museu Histórico de Santa Catarina “Cruz e Sousa”
Quando: Até o dia 29 de março de 2025
Endereço: Praça XV de Novembro – Centro – Florianópolis
Visitas: De terça a sexta-feira, das 10h às 17h30; sábados, das 10h às 13h30
Entrada gratuita, mediante cadastro que feito na hora ou agendamento pelo site https://www.cultura.sc.gov.br/espacos/mhsc/atendimento

Área cenográfica (ou instagramável) similar à “Sala do Trono” onde D. Pedro despachava (Foto JCarlos)

Releitura da aquarela de Vicente Pietro – 1845 !”Chegada de D. Pedro e D. Tereza a Desterro” – Por Lídia V. Michetti (Foto JCarlos)








