Um autoproclamado embaixador de Marte junto ao Planeta Terra, morou em Florianópolis até 1991, quando retornou para o planeta do qual dizia ter vindo. Ernesto Meyer Filho era bancário por profissão, mas artista plástico por vocação. Autodidata, estudou a história da arte e a história natural. Foi desenhista, pintor e tapeceiro, tendo colaborado em jornais da capital com charges. Incrementou a divulgação da arte moderna em Florianópolis no final da década de 1950, tendo sido o primeiro catarinense a expor individualmente no Museu de Arte Moderna de Santa Catarina (Atual MASC – Museu de Arte de Santa Catarina).
Um dos seus temas favoritos eram os galos, que Meyer Filho desenhou de todas as formas, maneiras e cores possíveis. Passou por várias fases artísticas, desenhou e pintou cenas da Ilha de Santa Catarina, retratou o misticismo e os festejos trazidos pelos açorianos e também teve um período em que brincou com o erotismo.
A obra de Meyer Filho é uma mistura de seres híbridos, que podem ser “rastejantes, voadoras e andantes”, como destaca o livro Exercício da Imaginação, editado pelo Instituto que leva o nome do artista.
Nesta terça-feira, 07 de dezembro, Meyer Filho será homenageado com a inauguração de um painel com 33 metros de altura, na empena de um prédio no centro da cidade. Além do rosto de Meyer Filho, os artistas Rodrigo Rizzo e Tuane Ferreira pintaram algumas das criações do homenageado, com um galo (claro!) voando em direção a Marte. É uma das homenagens tardias ao centenário de nascimento, que não puderam ser realizadas em 2019 devido a pandemia, mas que coloca Meyer Filho na grande exposição a céu aberto, onde já estão expostos a professora Antonieta de Barros, o poeta Cruz e Souza, o folclorista e professor Franklin Cascaes e o motorista de aplicativo Mário Mariano de Assis com a esposa Elza.
Na obra acima, vários elementos dos trabalhos do artista: Cena idílica na praia de Itaguaçu, Marte, os galos e animais imaginários.
Nesta fase de Meyer Filho, a crítica de arte e professora Debora Pazetto diz que “A obra de Meyer transpira erotismo em sentido lato”. Seja lá o que isso for.













