07 de dezembro de 2021

O embaixador de Marte e seus galos cósmicos

Por José Carlos Sá

Um autoproclamado embaixador de Marte junto ao Planeta Terra, morou em Florianópolis até 1991, quando retornou para o planeta do qual dizia ter vindo. Ernesto Meyer Filho era bancário por profissão, mas artista plástico por vocação. Autodidata, estudou a história da arte e a história natural. Foi desenhista, pintor e tapeceiro, tendo colaborado em jornais da capital com charges. Incrementou a divulgação da arte moderna em Florianópolis no final da década de 1950, tendo sido o primeiro catarinense a expor individualmente no Museu de Arte Moderna de Santa Catarina (Atual MASC – Museu de Arte de Santa Catarina).

Um dos seus temas favoritos eram os galos, que Meyer Filho desenhou de todas as formas, maneiras e cores possíveis. Passou por várias fases artísticas, desenhou e pintou cenas da Ilha de Santa Catarina, retratou o misticismo e os festejos trazidos pelos açorianos e também teve um período em que brincou com o erotismo.

A obra de Meyer Filho é uma mistura de seres híbridos, que podem ser “rastejantes, voadoras e andantes”, como destaca o livro Exercício da Imaginação, editado pelo Instituto que leva o nome do artista.

Nesta terça-feira, 07 de dezembro, Meyer Filho será homenageado com a inauguração de um painel com 33 metros de altura, na empena de um prédio no centro da cidade. Além do rosto de Meyer Filho, os artistas Rodrigo Rizzo e Tuane Ferreira pintaram algumas das criações do homenageado, com um galo (claro!) voando em direção a Marte. É uma das homenagens tardias ao centenário de nascimento, que não puderam ser realizadas em 2019 devido a pandemia, mas que coloca Meyer Filho na grande exposição a céu aberto, onde já estão expostos a professora Antonieta de Barros, o poeta Cruz e Souza, o folclorista e professor Franklin Cascaes e o motorista de aplicativo Mário Mariano de Assis com a esposa Elza.

‘O baile místico do Meyer Filho’, obra de Rodrigo Rizzo e Tuane Ferreira (Foto Nilva Damian)

Paisagem em Coqueiros – Meyer Filho – 1958 (Reprodução)

Desenhos em capa de talão e folha de um cheque – Meyer Filho – 1968 e 1984 (Reprodução)

Fase do Boi-de-Mamão – Meyer Filho – Várias datas (Reprodução)

Galo Filatélico N° 5 – Meyer Filho – 1985 (Reprodução)

Outros galos – Meyer Filho – Várias datas (Reprodução)

Idílio Fantástico com anotações – Meyer Filho – 1957 (Reprodução)

 

Sem título – Meyer Filho – 1973 (Reprodução)

Na obra acima, vários elementos dos trabalhos do artista: Cena idílica na praia de Itaguaçu, Marte, os galos e animais imaginários.

Desenho inacabado – Meyer Filho – sem data (Reprodução)

O demônio também ama flores – Meyer Filho – 1986 (Reprodução)

Nesta fase de Meyer Filho, a crítica de arte e professora Debora Pazetto diz que “A obra de Meyer transpira erotismo em sentido lato”. Seja lá o que isso for.

Inconformado em não ser reconhecido como artista entre seus conterrâneos, Meyer Filho mandou instalar outdoors como se fossem críticas a ele. Chamou a atenção. (Reprodução)

O reconhecimento popular veio com a presença de um boneco representando o artista no bloco Berbigão do Boca (Foto JCarlos)

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Itaguaçu Marte MASC Meyer Filho 

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