Já estou lendo outro livro, para “desendoidecer”, como dizia Guimarães Rosa, nessa pandemia. Peguei o Rondon conta sua história de Esther de Viveiros. É um volumão de 612 páginas, mas muito fácil de ler e já tenho familiaridade com o tema, pois o Marechal Rondon é um dos meus heróis brasileiros.
No prefácio, escrito por Rachel de Queiroz, a autora de O quinze contrariou a tradição das apresentações. Disse que escreveria sobre a autora, pois sobre o biografado Esther tinha mais conhecimento do que ela. Em seguida Rachel fala um pouco sobre o trabalho social desenvolvido por Esther, especialmente entre crianças órfãs.
Também explica como foi possível quebrar a resistência do velho militar, que contou a história dele, ouvia como ela tinha redigido e, ao fim de oito meses, aprovou o livro. A ideia da biografia foi da esposa de Rondon, dona Chiquita, que não teve tempo de escrevê-lo e nos últimos dias de vida passou a responsabilidade para uma das filhas do casal. Marina chamou dona Esther, de quem era amiga, e repassou a missão que foi cumprida.
Encontrei na internet uma velha página do Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, edição de 06 de maio de 1962, em que Esther é homenageada pelo Dia das Mães. “[Esther] ama os filhos que a vida não deu”, escreve a jornalista Iris Carvalho de Mendonça. No artigo ficamos sabendo que além da biografia de Rondon, Esther de Viveiros escreveu também os livros Pela mulher, Do casamento e Enfermagem no lar.
Esther nasceu em 1882 e começou os trabalhos sociais durante a Segunda Guerra Mundial. Primeiro amparando órfãos, depois, também, os migrantes nordestinos. Recebeu dezenas de condecorações e reconhecimentos nacionais e internacionais, entre elas a medalha de Prata da Cruz Vermelha francesa.
Ah! Também era da Igreja da Humanidade (Positivista).

