Confesso que tive dificuldades em entender esse livro. O encadeamento dos capítulos estava confuso. As cenas de sexo narradas pelo autor me deixavam intrigado – numa delas, Rigoberto besuntou a esposa Lucrecia com mel e deixou que quatro gatos a lambessem. Em outra, Rigoberto e o irmão dele trocam de esposas, mas Rigoberto só fica assistindo a cena, sentado ao lado da cunhada.
Depois da metade do livro resolvi ler as sinopses sobre a obra. Descobri: 1 – que o livro é continuação de Elogios à madrasta; 2 – Que se não ler um não vai entender o outro; 3 – que a obra tem três tempos: As cartas de Don Rigoberto; os fatos vividos por Lucrécia; e as fantasias sexuais de Rigoberto, escritas nos cadernos do título.
Assim ficou mais claro para eu entender o enredo. Já li coisas melhores do Mario Vargas Llosa, como Pantaleão e as visitadoras, A casa verde, A guerra do fim do mundo e Tia Julia e o escrevinhador.
Os cadernos de Don Rigoberto não é um livro erótico, apesar de ter esse ingrediente. Também fala de artes plásticas, já que o menino Alfonso, o Fonchitoe aluno de pintura, é obcecado pelo pintor austríaco Egon Schiliele, mas também se fala sobre as obras de Gusvat Klimt, Joan Ponç, Victor Brauner, Jean-Auguste Dominique Ingres, Ticiano, Bartolomé Esteban Perez Murillo ou Eduardo Úrculo.
Os cadernos de Don Rigoberto que li foi editado pela Companhia das Letras/1997.


