Concluí há alguns dias a leitura do livro “Machado de Assis – Crônicas escolhidas”, da editora Penguin/Companhia das Letras (2012), com seleção de John Gledson. Os textos desta obra foram publicados nos jornais O Espelho, O Futuro, Semana Ilustrada, Diário do Rio de Janeiro, O Cruzeiro, Jornal das Famílias, Gazeta de Notícias, e nas revistas Ilustração Brasileira, Época, no período de 1859 a 1900.
Machado de Assis escreve sobre notícias que ele leu em jornais, comentando fatos nacionais e internacionais, misturando com assuntos cotidianos, que observa na sociedade carioca, com uma ponta de sarcasmo, além de críticas a políticos, especialmente ao então ministro da Fazenda, Ruy Barbosa, que instituiu uma política econômica apelidada pelos críticos de “encilhamento” *.
Desta vez, usei a tecnologia (Internet, Google) para visitar virtualmente alguns lugares citados por Machado de Assis. Um exemplo destes reconhecimentos foi a partir da crônica “A Semana”, publicada no dia 6 de novembro de 1892, quando o escritor “cisma” com as linhas arquitetônicas da Igreja de Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado, no bairro do Catete, próximo a casa dele.
“Quem não conhece esse templo grego, imitado da Madalena**, com uma torre no meio, imitada de coisa nenhuma? A impressão que se tem diante daquele singular conúbio, não é cristã nem pagã; […]. Quando ali passo, desvio sempre os olhos e o pensamento. Tenho medo de pecar duas vezes, contra a torre e contra o templo, mandando-os ambos ao diabo, com escândalo da minha consciência e dos ouvidos das outras pessoas”, narra Machado.
Claro que fiquei curioso, fui ao Google para ver uma foto da igreja ridicularizada pelo fundador da Academia Brasileira de Letras. Realmente é uma miscelânea de estilos: uma mistura da arquitetura romana com uma sinagoga. Vejam a foto e deem razão ao velho Machado!

