Os dias seguintes à deflagração da Operação Carne Fraca, que aconteceu na sexta-feira, 17 de março, foram de um desencontro de informações incrível. Enquanto a população brasileira se indignava com o que era divulgado, íamos sabendo, pouco a pouco, como são feitas as coisas que gostamos de saborear, como as salsichas, por exemplo. Uma frase que os repórteres repetiam em vídeo ou em texto: “(…)o casal discute a utilização de carne de cabeça de porco na fabricação de linguiças, o que é proibido por lei.(..)”, se referindo a dois investigados, flagrados em grampo telefônico, porém sem explicar porque era proibido o uso da carne da cabeça do porco.
Pesquisei na internet por que era proibido usar carne de cabeça de porco e, naquele momento (sábado e domingo), não encontrei a resposta. Pesquisei no saite da Anvisa, mas são centenas de resoluções e desisti. Busquei a informação com quem sabe, o engenheiro agrônomo Gabriel Ferreira, ex-secretário de Agricultura em Rondônia e hoje com uma consultoria em Brasília. Ele enviou a seguinte explicação:
“Bom dia, Zé! Come-se e muito cabeça de porco, ou partes dela! Na feijoada orelha, focinho e língua! O dos pratos famosos da culinária italiana são os pratos com as bochechas suínas, que no Dom Francisco em Brasília é servida como iguaria! Agora, cartilagens, nervos e peles são trituradas e vão para as salsichas e estes empanados que são vendidos muito baratos. Porco só tem um defeito, pelo menos para nós, mineiros, não bota ovo!”

