
Eu tateava o corredor escuro, com a chave numa mão e um palito de fósforo aceso na outra (Imagem criada pelo assistente ChatGCT/Prompt IAgo Copilot/JCarlos)
Há muitos filmes ambientados em hotéis onde acontecem crimes, assassinatos ou fenômenos sobrenaturais bizarros. A editora DarkSide Books, da qual já comprei alguns livros, enviou-me hoje uma promoção de pré-venda de Segredos e Delírios do Hotel Overlook, de Roger Luckhurst, obra que aborda o cenário do filme O Iluminado, de Stanley Kubrick, com Jack Nicholson em uma atuação inesquecível.
Lembrei-me de outros hotéis igualmente perigosos, como o Bates Motel, de Psicose; o The Continental, de John Wick; ou o Seven Doors Hotel, construído sobre “uma das sete portas do inferno”, no filme Terror nas Trevas, de 1981.
Pessoalmente, já tive péssimas experiências em hotéis, mas nada nem de longe parecido com o que vi no cinema. Foram situações embaraçosas que, com o passar do tempo, tornaram-se engraçadas e acabaram incorporadas ao meu repertório de causos.
Uma delas ocorreu quando, a serviço, fomos a Ji-Paraná, no interior de Rondônia, no final da década de 1980. A equipe foi hospedada no Casablanca Hotel. Chegamos no início da tarde, deixei minha bagagem no apartamento e fui para o estande do Governo do Estado no Parque de Exposições.
Trabalhamos o dia todo e, à noite, fomos comer uma pizza e beber algumas cervejas. Os colegas ficaram no restaurante, e eu peguei um táxi para o hotel, onde, no momento em que cheguei, não havia energia elétrica. Tudo estava na mais absoluta escuridão, exceto por uma lâmpada de segurança que mal iluminava a recepção.
Pedi a chave do apartamento 13, que ficava no primeiro andar, e solicitei à recepcionista uma lanterna emprestada. Não tinha. E uma vela? Também não.
— Tenho esta caixa de fósforos, mas só tem dois palitos — respondeu ela.
Peguei a caixa e subi as escadas no escuro, apalpando as paredes para poupar os fósforos. Lembrava que o apartamento ficava no final do corredor, do lado direito. Terminada a escada, acendi o primeiro fósforo e comecei a correr para dar tempo de chegar ao destino.
Com a velocidade da minha corrida no escuro, o fogo apagou, e eu dei de cara com uma parede. O corredor fazia um “cotovelo” de noventa graus, detalhe de que eu, evidentemente, não me lembrava.
Recuperado do susto (nem liguei para a dor), pensei: os números ímpares devem estar à direita. Fui tateando e contando as portas, com medo de bater na errada e surgir um Jack Torrance, personagem de Nicholson no filme citado.
Chegando à porta que eu imaginava ser a minha, acendi o derradeiro palito e vi que estava em frente ao apartamento 9. Mas, a essa altura, meus problemas haviam acabado. Mais alguns passos, e pude tomar um banhão, trocar de roupa e dormir.
No dia seguinte, não havia água para a higiene matinal. Mas essa já é outra história…
[Crônica CCXXXIII/2026 – atualização da crônica “Os hotéis em que me perdi – 3”, de 9 de setembro de 2011]
