07 de outubro de 2026

Quando a timidez atrapalha

Por José Carlos Sá

Autoretrato de Juarez Machado (*1941+2026) – Acervo Instituto Internacional Juarez Machado (Reprodução)

A imprensa publicou ontem (6) o falecimento, aos 85 anos, do multiartista Juarez Machado. Catarinense de Joinville, Juarez teve uma longa e bonita carreira artística. Foi desenhista, caricaturista, ilustrador e cartunista, além de pintor, escultor, mímico, designer, cenógrafo, escritor, fotógrafo e ator. Eu escrevi que ele era um multiartista, não foi?

“Descobri” Juarez Machado na década de 1970, embora não saiba exatamente quando. Ele trabalhou em uma revista, talvez a Manchete, na qual explorava o surrealismo, e eu recortava e guardava suas tirinhas.

Os cartuns dessa fase eram chamados de Nonsense e inspiraram sua ida para a tevê, onde atuava e desenhava. Eu não perdia o quadro em que aparecia desenhando e participando dos próprios desenhos no programa Fantástico.

Nonsense I (Reprodução internet)

Nonsense II (Reprodução internet)

Nonsense III (Reprodução internet)

Nonsense IV (Reprodução internet)

Nonsense V (Reprodução internet)

Foi em 1981 que eu, trabalhando na Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, cobrindo as férias da colega responsável por um programa de variedades e horóscopo, recebi o convite para uma exposição individual do artista na Galeria Guignard, no Palácio das Artes. Fiquei empolgado: vou conhecer o Juarez, fazer uma entrevista e depois dizer que sou fã dele.

La Sol´Tude du voyageur (Reprodução internet)

Na noite da vernissage, com o gravador na bolsa, fui até a galeria. Ainda havia poucas pessoas e o próprio artista recebia os convidados. Ele me desejou boa noite. E então aconteceu o pior: eu travei.

Respondi com um sorriso, apertei a mão que ele me estendia e me afastei. Olhei rapidamente as obras expostas e fui embora para a redação, maldizendo-me pela oportunidade perdida.

Hoje estou aqui, lamentando o falecimento do grande artista que foi Juarez Machado e também a minha chance perdida.

Que descanse em paz.

[Crônica CCXXI/2026]