Pessoas da minha geração, que já estão quase todas viciadas em smartphones, talvez, em um lampejo de nostalgia, sintam saudades do tempo em que eram crianças e se divertiam com qualquer objeto que a imaginação transformava em outra coisa, dando-lhe novas formas e serventias.
Sempre morei em cidades e tínhamos alguns brinquedos “de loja”, mas aprendemos a jogar bola de gude, rodar pião e disputar uma ou outra pelada com os colegas escoteiros. Nunca gostei, porém, de empinar papagaio. Brincávamos de roda quando minha mãe ia visitar alguma de suas comadres que tinha muitos filhos da nossa faixa etária.
Foi em tudo isso que fiquei pensando quando recebi, há pouco, o convite para a abertura da exposição A Arte de Brincar, com obras dos amigos Osmarina e Paulo Villalva. A mostra está sendo promovida pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da UFSC, o MarquE, com curadoria do professor Rodrigo Antônio Chioda.
Estarão em exposição trinta peças representando brincadeiras de antigamente, reunindo cerca de 70 figuras de meninas e meninos dando vazão às suas energias em atividades que ajudavam na socialização.
Osmarina e Paulo lembram que as figuras em cerâmica da mostra “são um resgate de belas lembranças de algumas brincadeiras de nosso tempo de crianças”.
Coloquei o verbo ajudavam no passado de propósito, apesar de o corretor querer trazê-lo para o presente. Hoje já não há mais aquela socialização, pois apenas as crianças pequenas ainda brincam umas com as outras. Depois que ganham um celular, acaba-se a brincadeira.
Por isso, a exposição de Osmarina e Paulo tem a importância de mostrar brincadeiras antigas, mas não tão antigas assim, que estão caindo no esquecimento e que, já-já, virarão lendas das quais muitos duvidarão que tenham existido.
SERVIÇO
O quê: Exposição A Arte de Brincar
Autores: Osmarina e Paulo Villalva
Onde: Pavilhão de Exposições Sílvio Coelho dos Santos – MarquE/UFSC
Horário: 18h30
Data: 13 de outubro de 2026
Endereço: Rua Engenheiro Agrônomo Andrey Cristian Ferreira, Campus Trindade, Florianópolis (SC)
Quanto: Entrada gratuita
[Crônica CCXX/2026]





