Já ouvi, em tom de piada, um conhecido contar que, quando ainda era “inexperiente”, comprou maconha e recebeu orégano prensado com folhas de grama seca. O esperado efeito alucinógeno — o barato — não veio, e ele ficou frustrado.
Quando descobriu que havia sido enganado — o fornecedor era contumaz em vender erva falsificada aos neófitos — quis ir à polícia denunciar o logro. Mas lembraram a ele que a compra e venda de drogas é ilegal e que quem poderia acabar preso era ele, além de passar o recibo de otário em praça pública.
Lembrei dessa história ao ler que, em Lisboa, a Câmara Municipal, responsável pela administração política da capital portuguesa, tenta resolver um problema paradoxal: como coibir a venda de folhas de louro (Laurus nobilis) como se fosse haxixe.
A venda do estupefaciente (sempre quis usar essa palavra, mas não tinha tido oportunidade!) é ilegal em Portugal, mas o consumo foi descriminalizado, tornando-se apenas uma infração administrativa.
Agora as autoridades portuguesas estudam como punir quem falsifica uma droga cujo comércio já é proibido. Não sei como vão resolver esse impasse.
Aliás, surgem outros dilemas para os lisboetas: qual produto é mais prejudicial à saúde — o original ou o falsificado? Quem é mais otário — o que compra haxixe ou o que compra louro prensado?
Não precisa responder.
[Crônica CCIX/2026]

