
Toda a inocência e o desespero das vésperas de prova que marcaram tantas infâncias (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)
Ontem comentei com meu filho Guilherme que faria uma apresentação online e que, ao dormir, coloquei as anotações sob o travesseiro para no dia seguinte me lembrar de tudo.
Guilherme não conhecia esse método que o pai dele usava na escola, quando não estudava e só lembrava de revisar o conteúdo na véspera da prova. Comecei com essa prática quando minha mãe nos contou que alguém lhe dissera que a técnica era “infalível”.
Como sempre faço quando me recordo dessas crenças populares da infância, fui pesquisar. Diz o Google que se trata de uma “superstição de estudante”: colocar o caderno, livro ou anotações debaixo do travesseiro na véspera da prova faria o conhecimento ser magicamente “transferido” para a mente durante o sono.
Chamam a isso “aprender por osmose”.
Não tenho a menor dúvida de que esse sistema é completamente inútil. Precisei ser reprovado várias vezes nas provas finais para tomar vergonha na cara e estudar direito.
Muito mais tarde, já na faculdade, acertei o método que mais se adaptou a mim: fazia anotações em sala — não apenas do que o professor escrevia no quadro, mas também do que falava — e no dia seguinte, o mais cedo possível, digitava tudo e arquivava em pastas organizadas com os nomes das disciplinas e a data da aula.
Esse jeito de estudar poderia até ter rendido um dinheirinho. Havia colegas que pediam cópias das minhas anotações para estudar, e professores que recorriam a mim para provar que tinham abordado determinado assunto em sala, quando algum aluno errava a questão na prova e insistia que o tema não havia sido tratado.
Fiz graça ao falar com Guilherme que dormi sobre as anotações. Mas aprendi, afinal, que aprender também dá trabalho. E quem insiste em acreditar em milagres de travesseiro acaba descobrindo, cedo ou tarde, que o único resultado garantido da osmose é a reprovação e um torcicolo.
[Crônica CCIV/2026]
