
O ato de votar é tão decisivo e arriscado quanto se aproximar da onça na hora de beber água (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)
Ouvia muito a expressão “está na hora da onça beber água” quando era criança. Significa que está chegando um momento crucial, decisivo. A cultura popular criou a locução comparando com os hábitos da onça-pintada (Panthera onca), que costuma beber água ao cair da noite. É a melhor hora de caçar o bicho. Mas ainda assim, todo cuidado é pouco. A onça pode reagir.
E a hora da onça beber água será daqui a pouco, dia 4 de outubro: o dia das eleições para presidente, senadores, deputados federais e estaduais. Será preciso votar em seis pessoas que — junto aos demais eleitos naquele pleito — terão a obrigação de dirigir o nosso destino nos próximos quatro anos (oito para os senadores).
Sempre cumpri meu dever de cidadão com consciência, acreditando que estava escolhendo quem faria o melhor para todos. Votei em pessoas que julgava imbuídas dos melhores princípios. E depois de eleitos, muita decepção.
Neste ano, a minha certeza não é aquela coca-cola toda.
A 26 dias da eleição, ainda não tenho uma chapa anotada na “colinha” que levarei à sessão. Não me decidi por quase ninguém. Que critério usar para escolher? Não sei.
Na Igreja de São Francisco, aqui no bairro Ipiranga, apanhei um folheto no aparador da entrada. Título: “Os cristãos e as eleições”, assinado pela Arquidiocese de Florianópolis. O panfleto — entre outras considerações — sugere que não se vote em quem “é reconhecidamente desonesto e não inspira confiança”, nem em quem “muda frequentemente de partido, sempre conforme suas conveniências”.
Ora, usando apenas esses dois critérios, já enxugo a lista dos candidatos, deixando-a mais seca do que quem bebe mounjaro® de caneca…
Nestas eleições não sei se exerço o meu dever de eleitor, indo votar mesmo sem convicção, ou se uso o meu direito de não votar, amparado pela idade provecta.
Talvez eu deixe a onça beber sua água sossegada. Melhor ela se saciar do que eu engolir mais quatro anos de promessas mal digeridas.
[Crônica CCIX/2026]
