
Na Teófilo Otoni do final dos anos 1960, os “vermelhinhos” tocavam terror (magem criada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt e edição JCarlos
No filme de ficção científica Mickey 17 (Warner Bros. Pictures, 2025), o personagem de Robert Pattinson é obrigado a se engajar em uma missão espacial para formar uma colônia extraterrestre, fugindo de um agiota que costumava matar inadimplentes e esquartejar corpos com uma motosserra.
O filme pode ser ficção, mas o método de cobrança de quem toma dinheiro emprestado no mercado paralelo não é. Li, esta semana, que o Ministério Público de Santa Catarina denunciou cinco pessoas acusadas de integrar uma quadrilha especializada em extorsão violenta.
O grupo, que antes se dedicava “apenas” ao tráfico de drogas, ampliou sua atuação oferecendo empréstimos a juros altos — competindo em pé de igualdade com as taxas cobradas pelas administradoras de cartões de crédito.
De acordo com a denúncia, os criminosos utilizavam perfis em redes sociais para expor publicamente as vítimas, publicando conteúdos intimidatórios e realizando cobranças acompanhadas de graves ameaças.
“Conforme apurado, os investigados teriam exigido pagamentos sob ameaça de morte, realizado abordagens presenciais em residências, utilizado vídeos de agressões e imagens de armamentos para intimidar vítimas e familiares e, em alguns casos, obtido dinheiro por meio de transferências eletrônicas. Também são relatados casos em que vítimas foram coagidas a entregar bens como forma de garantia das cobranças impostas pelo grupo”, informa o MP.
O caso agora segue para análise da Justiça e pode resultar em até 50 anos de prisão, além de multas e outras penalidades.
Há muitos anos, em Teófilo Otoni (MG), surgiu uma empresa especializada em cobranças — não necessariamente de agiotas — em que os cobradores usavam macacões vermelhos e circulavam em lambrettas. O constrangimento era imediato: quando um dos “vermelhinhos” parava diante de uma casa ou comércio, toda a vizinhança ficava sabendo que ali havia um mau pagador.
A empresa não durou muito. Alguns cobradores foram ameaçados de morte e logo não havia mais quem aceitasse o serviço. Mas os agiotas continuaram emprestando dinheiro e cobrando, como se dizia antigamente, “o olho da cara” em juros.
Parece que a coisa só piorou: os juros e os meios de cobrança.
P.S. Recomendo o filme Mickey 17, disponível na Netflix.
[Crônica CCI/2026]
