19 de agosto de 2026

Quando a IA responde

Por José Carlos Sá

Eu sou uma IA, não o telescópio Hubble (Imagem gerada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)

Eu não sei se deveria, mas começo a ficar preocupado com a esperteza – cada vez maior – da IA, a Inteligência Artificial, nossa de cada dia. Ela aprende rápido a conviver e interagir conosco, humanos preguiçosos ou incapazes, que vamos delegando a ela as tarefas que não queremos cumprir.

Os escritores e roteiristas de ficção científica do passado já previam que isso aconteceria, mais cedo ou mais tarde – para o bem e para o mal. Li muitos contos e assisti a filmes em que a IA toma conta de tudo e, quando percebemos, ela é a toda-poderosa, governando de fato e de direito.

Hoje uso a IA como assistente para revisar os textos que produzo – não só crônicas e contos, mas também atas e ofícios. São as IAs que me ajudam a dar forma às ideias para as ilustrações.

Reconheço que algumas ideias são difíceis até de descrever. Ficamos tentando chegar a um acordo, mas quando não é possível, recorro às ferramentas antigas – Paint e PowerPoint – num processo de recorta, cola e retoca que ainda engana os olhos menos atentos.

Outro dia testemunhei uma resposta delicada, mas firme, da assistente Alexa a um usuário que se dirigiu a ela com palavras impróprias:

– Putaquipariu, Alexa, para com isso!

– A sua maneira de se dirigir a mim está sendo inadequada. Não vou comentar.

Depois da surpresa, a gargalhada foi geral — menos do autor do xingamento, que ficou sem graça.

A Marcela tem usado bastante os assistentes virtuais para simular provas de concursos públicos. A IA com quem ela interage propõe questões baseadas nos editais e ainda avalia em quais disciplinas ela deve se dedicar mais para melhorar o desempenho nos concursos reais.

Querendo ouvir determinada música, Marcela disse à IA do celular um verso, esperando que a canção fosse executada:

– Olha a manhã que brilha na janela…

A resposta foi, ao mesmo tempo, decepcionante e hilária:

– Eu sou uma inteligência artificial e não tenho como olhar pela sua janela!

É como diz o outro: é pra acabar!

[Crônica XCVII/2026] 

Tags

Alexa Ficção científica IA Inteligência Artificial Marcela Ximenes 

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